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Entre mandatos e estratégias: o xadrez político que redesenha o futuro de Amauri Gomes

Possível retorno de Joana Darc à Aleam reacende a dança das cadeiras no União Brasil e coloca o vereador temporário no centro das articulações para 2026
09/02/26 às 14:19h
Entre mandatos e estratégias: o xadrez político que redesenha o futuro de Amauri Gomes

O início dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal de Manaus, nesta segunda-feira (9/2), veio acompanhado de sinais claros de que o tabuleiro político do União Brasil segue em movimento intenso. No centro dessa engrenagem está o vereador Amauri Gomes, cujo mandato, desde a origem, carrega o selo da transitoriedade, mas também da visibilidade estratégica.

Questionado pela Rede Onda Digital sobre o impacto das eleições de 2026 e as especulações em torno do possível retorno de Joana Darc à Assembleia Legislativa do Amazonas, Amauri foi direto ao reconhecer o rito institucional. “É o trâmite legal né, em algum momento ela vai ter que retornar para a Assembleia Legislativa, a professora Jaqueline retorna e eu deixo o cargo de vereador pois sou o primeiro suplente hoje”, afirmou. A fala resume a lógica interna do partido e expõe um cenário que pode redesenhar, mais uma vez, a composição da CMM.

O movimento, se confirmado, desencadeia uma sequência conhecida nos bastidores. Joana Darc, atualmente titular da Sepet, retomaria a cadeira na Aleam com foco em um novo projeto eleitoral. Com isso, a vereadora Professora Jacqueline deixaria o Parlamento estadual e reassumiria o mandato na Câmara Municipal. A consequência direta seria a saída de Amauri Gomes do plenário Adriano Jorge, devolvendo-o à condição de suplente, ainda que com capital político acumulado.

Esse capital não é desprezível. Amauri tomou posse como vereador em 21 de outubro de 2025, após uma série de licenças e substituições internas no União Brasil. Com 7.778 votos nas eleições de 2024, era o segundo suplente da legenda e chegou à Câmara na vaga aberta por Professora Jacqueline, quando ela assumiu a Aleam. O primeiro suplente, Caio André, chegou a ocupar o posto, mas se licenciou no mesmo dia para permanecer como secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, abrindo espaço para Amauri.


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Desde então, o parlamentar construiu um discurso de oposição dura à gestão municipal, fortemente ancorado nas redes sociais e na fiscalização cotidiana. Mesmo ciente de que o mandato pode ter prazo curto, Amauri reforça que a atuação independe da cadeira. “Nós vamos continuar o mesmo trabalho, a internet está aí né, é uma importante ferramenta para mostrar a ineficiência do poder público”, declarou, ao criticar a administração de Manaus e apontar problemas crônicos de infraestrutura, especialmente nas zonas Leste e Norte da capital.

A possibilidade de saída da Câmara não parece, ao menos publicamente, abalar seus planos. Em novembro de 2025, quando a movimentação pelo retorno de Joana Darc ganhou força, Amauri reagiu dizendo ter sabido do assunto pela imprensa. “Eu soube agora pela manhã, pela imprensa. Ainda não fui comunicado pela Casa sobre o retorno delas e continuarei fazendo o meu trabalho. Não sei a quem interessa, também pouco me importa. Estou aqui para representar o povo, doa a quem doer”, afirmou à época, sinalizando disposição para manter o enfrentamento político mesmo fora do mandato.

Nos bastidores, a leitura é que Amauri pode usar esse período como uma espécie de vitrine para 2026. Questionado se pretende disputar um cargo eletivo, ele adota cautela. “Nós estamos analisando os cenários, né, mas eu vou aproveitar esse pouco tempo que eu ainda tenho para protocolar esses projetos e aí depois lá na frente a gente avalia”, disse. A resposta mantém abertas as portas para uma candidatura a deputado, ao mesmo tempo em que evita compromissos antecipados.

Com Joana Darc, Professora Jacqueline e Amauri Gomes orbitando o mesmo espaço partidário, o União Brasil administra uma equação delicada, em que cada movimento impacta diretamente o outro. Para Amauri, o eventual retorno à condição de suplente não significa saída de cena, mas uma mudança de palco. Nos corredores da política manauara, a aposta é que, com ou sem mandato, ele seguirá presente no debate público, acumulando discurso, visibilidade e munição eleitoral para quando o calendário de 2026 apertar.

Veja a entrevista: