Débora Menezes quer transformar corridas militares e policiais em patrimônio cultural do Amazonas

A deputada estadual Débora Menezes (PL) ajudou a aumentar a conta dos milhares de Projetos de Lei sem eficiência alguma para a população amazonense, apresentados diariamente na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Desta vez, a parlamentar, que no ano passado ficou no top 10 entre os deputados estaduais que mais apresentaram projetos sem eficiência prática, quer transformar quatro corridas militares em Patrimônios Culturais Imateriais do Estado.
No entendimento dela, as corridas Tiradentes, da Rocam, do Fogo e a Corrida da Infantaria têm elementos suficientes para se enquadrarem nos critérios do Artigo 206 da Constituição do Estado. O texto constitucional diz que os bens relacionados às formas de expressão (inciso I), aos modos de criar, fazer e viver (inciso II) e às criações artísticas, científicas e tecnológicas (inciso III) podem, sim, ser enquadrados como patrimônio imaterial do Estado.
Todas essas corridas, com exceção da meia maratona da Rocam, têm mais de 20 anos de tradição no calendário esportivo local e, sim, estão aptas a tal reconhecimento. Mas a questão aqui é outra: com tantas mazelas que a população de nosso estado vive, qual o impacto concreto dessas propostas na vida do povo amazonense? O reconhecimento como patrimônio imaterial da cultura para essas corridas vai garantir um melhor atendimento de saúde nos hospitais estaduais? Ou vai ajudar a diminuir a criminalidade nas ruas? A resposta é não!
Portanto, o tempo e o esforço que nossos parlamentares gastam com projetos ineficientes para o dia a dia da população deveriam ser melhor direcionados para os reais problemas daqueles que foram às urnas e neles votaram.
Se aprovados, e provavelmente serão, os projetos permitirão que o Estado desenvolva ações de promoção e preservação dos eventos. Resta saber se o reconhecimento será visto pela população como uma valorização legítima da cultura local ou apenas como mais uma iniciativa de forte apelo simbólico e sem efeitos práticos para os reais desafios enfrentados pelo povo do Amazonas.





