Assim como Republicanos, PV expõe racha na aliança a Omar Aziz

A eleição para o Governo do Amazonas vem revelando contradições dentro das próprias alianças partidárias. Um dos exemplos está no Partido Verde (PV), que integra a Federação Brasil da Esperança, formada também por PT e PCdoB.
Formalmente, a federação decidiu apoiar Omar Aziz (PSD) para o Governo do Amazonas e Eduardo Braga (MDB) para o Senado, conforme consta na ata da federação publicada em 2 de agosto. Na prática, porém, uma das principais dirigentes do PV no Estado mantém proximidade política com Roberto Cidade (União Brasil), adversário de Omar na disputa pelo governo.
O caso ganha peso maior porque a dirigente do PV no Amazonas, Eliane Ferreira, preside o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), órgão que integra a estrutura do governo estadual. Sua atuação política também é associada ao grupo de Roberto Cidade.
Tanto as redes sociais do PV quanto as da própria presidente da sigla mostram essa relação próxima ao governador. Eliane chegou a divulgar um vídeo em que aparece participando da convenção da Federação União Progressista, Podemos e PSB, realizada no dia 4 de agosto, quando Roberto Cidade e Serafim Corrêa (PSB) foram oficializados como candidatos a governador e vice-governador.
Esse movimento deixa uma pergunta no ar: até que ponto o apoio definido pela Federação Brasil da Esperança à candidatura de Omar representa, de fato, o posicionamento efetivo do Partido Verde no Amazonas?
Não se trata apenas de uma divergência entre dois nomes. Omar Aziz e Roberto Cidade estão entre os principais concorrentes ao Governo do Estado. Portanto, quando uma liderança do PV se aproxima de Cidade enquanto a federação da qual o partido faz parte apoia Omar, fica exposta uma diferença entre a decisão partidária formal e a movimentação política pessoal de um filiado.
Há ainda um componente histórico nessa relação. Roberto Cidade já presidiu o PV no Amazonas em 2021 e foi eleito deputado estadual pela legenda em 2018, antes de migrar para o União Brasil. A aproximação atual não surgiu do nada, pois reflete relações políticas construídas ao longo do tempo que se projetam no panorama eleitoral.
No papel, PT, PCdoB e PV estão no mesmo palanque. No entanto, podem existir interesses pessoais, alianças anteriores e relações políticas que atravessam as decisões tomadas pelas direções partidárias no âmbito nacional.
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Outros partidos vivem o mesmo impasse
Vale ressaltar que o impasse não é exclusivo do PV. O Republicanos vive situação semelhante no Amazonas. Embora a direção estadual, comandada por Silas Câmara, tenha declarado apoio a Omar Aziz, dois nomes de peso da legenda, o deputado federal João Carlos e o deputado estadual João Luiz, ligados à Igreja Universal do Reino de Deus, estão no palanque de Roberto Cidade.
A pergunta que fica é a seguinte: até que ponto a orientação das cúpulas partidárias será capaz de alinhar suas bases locais, diante de lideranças que já fizeram escolhas diferentes para a disputa estadual?





