Alberto Neto e o efeito dos derrotados em eleições gerais

O eleitorado de Manaus costuma votar nas eleições gerais de olho na disputa pela prefeitura que vem na sequência e, invariavelmente, os candidatos “derrotados” ganham uma força extra para a disputa municipal quando sabem manter a conexão com as bases e fazer as costuras políticas certas.
Parece um paradoxo, mas é assim desde o início deste século. Em 2006, o ex-governador Amazonino Mendes foi derrotado por Eduardo Braga na eleição para o governo do Estado, que este venceu com votos majoritariamente do interior. Dois anos depois, Amazonino devolveu a derrota sofrida para Serafim Correa em 2004 e voltou à Prefeitura de Manaus, impulsionado pelo grande “recall” obtido na briga contra Braga.
Nas eleições gerais de 2010, Braga e Vanessa Grazziotin trabalharam juntos para tirar do Senado Federal Arthur Virgílio Neto, que havia sido uma pedra no sapato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2003 e 2010.
Braga usou a grande aprovação obtida em seus dois governos, liderou a articulação que levou à vitória de Omar Aziz, seu sucessor no governo, e impulsionou a vitória de Vanessa justamente com votos do interior.
Arthur sentiu o golpe, passou dois anos dizendo que havia sido vítima dos poderosos, citando Lula e Braga, e manteve seu eleitorado mobilizado em Manaus. Em 2012, venceu Vanessa com facilidade e voltou à Prefeitura. Em 2016, foi reeleito após derrotar Marcelo Ramos no segundo turno, com 55,96% dos votos válidos. Ramos havia ficado em terceiro lugar na disputa pelo Governo do Amazonas em 2014, com 10,94% dos votos (179.758), dos quais 87% foram registrados em Manaus.
Na eleição geral de 2018, o voto manauara ficou dividido entre Wilson Lima, eleito e depois reeleito, e David Almeida, que ficou atrás de Amazonino Mendes, então governador em exercício. Os votos de David em Manaus o levaram, dois anos depois, à Prefeitura, cargo ao qual se reelegeu em 2024.
Na eleição geral de 2022, o grande “perdedor-vitorioso” em Manaus tornou-se a exceção que confirma a regra. Coronel Menezes quase tirou Omar Aziz do Senado Federal com mais de 737 mil votos, majoritariamente conquistados junto ao eleitorado da capital. Brigas entre aliados, a saída do partido e o afastamento do padrinho político, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o impediram de aproveitar esse recall. Na disputa pela prefeitura, dois anos depois, restou-lhe compor com o grupo de Wilson Lima e sair candidato a vice de Roberto Cidade, o quarto mais votado naquela eleição.
O desafio de Alberto Neto
De olho nessa tradição e com grande capacidade de articulação, o deputado federal Alberto Neto, que disputou uma vaga no Senado e obteve mais de 900 mil votos, majoritariamente em Manaus, anunciou nesta quarta-feira (21) que poderá disputar a eleição para prefeito em 2028.
Para isso, precisará inicialmente seguir mobilizando os “bolsonaristas” da cidade e, principalmente, domar as disputas internas do PL. De saída, elas podem opor o grupo dele ao do deputado federal eleito Sargento Salazar, ao do vereador Coronel Rosses, que, à revelia dele, declarou um segundo voto em Plínio Valério, e à própria Professora Maria do Carmo, que, em caso de derrota para Omar Aziz no próximo domingo, sairá muito forte desta eleição em Manaus.





