Quatro nomes entram no jogo pelo comando da Aleam após eleição estadual

Um duelo estratégico acontece silenciosamente nos bastidores da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) envolvendo ao menos quatro deputados estaduais interessados em presidir a Casa a partir de fevereiro de 2027. A definição do governador que será eleito no próximo domingo vai pesar nas articulações de cada um deles.
Atual titular do cargo, o deputado Adjuto Afonso (União Brasil) já colocou o time em campo, mas deve enfrentar resistências após a definição do governador, principalmente por ser ligado a Roberto Cidade (União Brasil), ex-presidente da Casa e atual governador, e por pertencer ao partido liderado pelo ex-governador Wilson Lima.
Com Omar Aziz ou Maria do Carmo no governo, dificilmente Adjuto emplacaria novo mandato à frente da Aleam. Ainda assim, ele se movimenta e, nesta semana, organizou uma recepção para os nove deputados estaduais eleitos que assumem em 2027. Uma boa articulação com eles e o apoio dos outros quatro deputados reeleitos pelo União Brasil poderia recolocá-lo na disputa pela própria sucessão.
Com Omar Aziz, PSD ganha tração
Com Omar Aziz eleito, ganham tração os nomes de deputados eleitos ou reeleitos pelo PSD, caso de Ednaílson Rozenha e Wilker Barreto. Na sucessão de Roberto Cidade, em maio deste ano, o nome de Rozenha surgiu nas articulações comandadas pelo senador para enfrentá-lo na eleição para o governo-tampão, mas na última hora prevaleceu a composição com Cidade e o grupo de Wilson.
Diante da perspectiva de vitória do senador, Rozenha trabalha nos bastidores lembrando a organização de grandes eventos na campanha, como uma reunião promovida por ele no bairro da Betânia, território teoricamente do ex-prefeito David Almeida.
Sobre a eventual candidatura à presidência, seus assessores dizem que o “foco” é eleger Omar Aziz e o resto vem depois. Pesa contra o deputado a forte concentração de poder que a presidência representaria, pois, fora da vida política, ele é o principal dirigente do futebol no Estado, o que já lhe garante uma vitrine capaz de “eclipsar” os demais colegas.
Wilker, por sua vez, busca votos nos dois lados da disputa governamental, pois conversa bem tanto com deputados ligados a Omar quanto com os do PL, ligados a Maria do Carmo. Ele ainda destaca os dois períodos em que presidiu a Câmara Municipal de Manaus (2015-2018) e promete replicar na Aleam as vantagens que conquistou para os vereadores junto ao então prefeito Arthur Neto. Contra ele pesa, dentro do PSD, o fato de ser “cristão novo” no partido, onde ingressou apenas na janela partidária.
Débora Menezes é o nome do PL com Maria do Carmo
Na outra ponta do espectro político, caso a professora Maria do Carmo vença a eleição, o principal nome indicado por ela seria o da deputada estadual Débora Menezes (PL), a segunda mais votada na eleição deste ano, atrás apenas do vereador Zé Ricardo (PT).
Débora integra o pelotão de frente da candidatura de Maria do Carmo e sairia tranquilamente na frente das articulações no PL, pois os outros dois eleitos, Delegado Péricles e Cabo Maciel, não se engajaram na campanha da empresária.
Contra ela pesaria a baixa adesão dos demais colegas, sobretudo os que já estão na casa a vários mandatos, os veteranos que dificilmente aceitariam o comando de uma jovem de pouco mais de 30 anos na definição dos rumos da Aleam.





