No Amazonas, experiência pode pesar mais que a eleição nacional

A disputa entre Omar Aziz e Maria do Carmo parece estar sendo decidida muito mais pelo que cada um representa no Amazonas do que pelas figuras nacionais que os cercam.
O eleitor que escolhe Lula para presidente não necessariamente leva Omar junto. Da mesma forma, votar em Flávio Bolsonaro não significa automaticamente votar em Maria. O primeiro turno já mostrou que a eleição estadual tem uma dinâmica própria.
E, quando Lula e Flávio saem do centro da análise, uma diferença chama atenção entre os dois candidatos ao Governo: experiência.
Omar já governou o Amazonas e acumula mais de três décadas de trajetória política, passando por cargos no Legislativo, na administração municipal, no Governo do Estado e no Senado. Maria vem do setor privado e nunca exerceu mandato eletivo.
Em outro momento, a falta de experiência poderia ser vendida simplesmente como renovação. Mas o Amazonas tem uma memória recente que torna essa discussão mais complexa.
Wilson Lima chegou ao Governo em 2018 vindo da televisão e sem experiência em mandato eletivo e prometendo ser “o novo”. Depois de dois mandatos, encerra esse ciclo com ampla rejeição e acaba de deixar as urnas sem conseguir uma das duas vagas ao Senado.
Isso não significa que Maria e Wilson tenham trajetórias iguais. Não têm. Mas essa experiência recente pode influenciar a maneira como parte do eleitorado olha hoje para um candidato sem passagem pela gestão pública.
É aí que Omar pode encontrar uma vantagem de percepção. O eleitor já sabe quem ele é, conhece sua trajetória e sabe que ele já foi governador. Já Maria precisa convencer que sua experiência empresarial é suficiente para administrar um Estado com a complexidade do Amazonas.
Talvez por isso esta eleição esteja menos presa à pergunta sobre quem está com Lula ou com Flávio e mais ligada a uma escolha local: diante de dois perfis tão diferentes, quanto a experiência vai pesar na hora de entregar o comando do Estado?





