Banco Master: Toffoli admite que é sócio de empresa que negociou com cunhado de Daniel Vorcaro

(Foto: Divulgação)
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quarta-feira (11/2) uma nota oficial em que assume ser sócio da Maridt, empresa familiar que vendeu participações no resort Tayayá, localizado no Paraná, para Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli é relator de ações que envolvem o grupo econômico do empresário na Corte.
De acordo com o gabinete do ministro, a Maridt é uma “sociedade anônima de capital fechado, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil”. Toffoli integra o quadro societário, mas a administração da empresa é conduzida por seus parentes.
Nota oficial

Na nota, o ministro ressaltou que sua participação societária está respaldada pela Lei Orgânica da Magistratura. “O magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador”, diz o texto.
Ele esclareceu ainda que a Maridt fez parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. Segundo a nota, a participação foi integralmente encerrada por meio de duas operações: a primeira, com a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021; a segunda, com a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
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“Tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado”, afirmou o gabinete.
O ministro também fez questão de destacar que a ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída a ele somente em 28 de novembro de 2025, “quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro”.
Na nota, Toffoli disse ainda desconhecer o gestor do Fundo Arllen e afirmou que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. O ministro também negou ter recebido qualquer valor de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.
A manifestação ocorre um dia após a Polícia Federal protocolar no STF uma arguição de suspeição contra Toffoli, com base em mensagens extraídas do celular de Vorcaro apreendidas na Operação Compliance Zero. O pedido será analisado pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.






