Estudo aponta que calor agrava toxicidade de microplásticos e metais em peixes

(Foto: Freepik)
Pesquisas conduzidas no Brasil revelam que o aumento da temperatura da água, consequência direta das mudanças climáticas, pode ampliar significativamente os impactos nocivos dos microplásticos nos ambientes aquáticos. Os estudos são desenvolvidos pela Embrapa em parceria com o Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNNano/CNPEM), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e vêm sendo realizados desde novembro do ano passado.
Os dados também apontam que a toxicidade dessas partículas microscópicas se torna ainda mais preocupante quando há a presença de metais pesados, como o cobre, afetando peixes de relevância ambiental e econômica.
Ambientes aquáticos já sofrem com múltiplos impactos provocados pela poluição e pela degradação dos ecossistemas. Nesse cenário, fragmentos de plástico, chamados de microplásticos chegam a rios, lagos e oceanos principalmente pelo descarte inadequado de resíduos e pelo desgaste de materiais sintéticos usados no dia a dia.
“No meio aquático, essas partículas não estão sozinhas e podem se combinar a poluentes químicos, sofrer alterações pela radiação solar, além de interagir com variações de temperatura. Esses fatores combinados podem gerar efeitos mais severos para a fauna aquática, desde alterações fisiológicas mais sutis até efeitos mais severos para os organismos”, explica a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP) Vera Castro.
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Para aprofundar essa análise, cientistas da Embrapa vêm realizando testes com zebrafish (Danio rerio) e tilápias (Oreochromis niloticus), espécies bastante utilizadas em estudos ambientais. Os experimentos simulam situações próximas às encontradas na natureza, expondo os peixes a microplásticos envelhecidos pela luz ultravioleta e associados ao cobre — metal amplamente presente em resíduos industriais e agrícolas. As análises também consideram diferentes condições térmicas da água, incluindo temperaturas até três graus acima da média, cenário compatível com projeções do aquecimento global.
“Queremos avaliar não apenas a presença isolada dos microplásticos, mas como eles se comportam e se tornam mais ou menos tóxicos diante de mudanças ambientais concretas, como o aumento da temperatura e a exposição a metais”, explica Castro. Os pesquisadores acompanham indicadores como sobrevivência, alterações no sangue e respostas bioquímicas, capazes de revelar impactos no metabolismo e na saúde dos peixes antes mesmo de ocorrerem mortes.
Segundo a equipe, os resultados devem contribuir para uma melhor compreensão dos efeitos desses poluentes nas cadeias alimentares aquáticas e na piscicultura, setor considerado estratégico para a segurança alimentar. Há sinais de que o aumento da temperatura potencializa a ação tóxica dos microplásticos e do cobre, elevando os riscos de danos aos tecidos, ao metabolismo e ao desenvolvimento dos peixes.
*Com informações do Embrapa
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