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Com vacinação em queda, covid-19 provoca mortes e expõe risco de novas ondas no Brasil

Uso reduzido de doses, risco de novas variantes e queda na imunização infantil mantêm doença como ameaça à saúde pública
25/01/26 às 11:47h
Com vacinação em queda, covid-19 provoca mortes e expõe risco de novas ondas no Brasil

Levantamento sobre dimensão da pandemia de Covid-19 no Brasil foi realizado pelo Ministério da Saúde e parceiros (Foto: Tony Winston/AB)

Cinco anos após o início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, a pandemia foi controlada, mas a doença segue presente e ainda provoca casos graves e mortes. Especialistas alertam que manter a imunização é fundamental, especialmente entre pessoas não vacinadas, grupos vulneráveis e crianças, diante do risco contínuo de surtos e do surgimento de novas variantes.

Apesar disso, a cobertura vacinal permanece muito abaixo do ideal. Em 2025, menos de quatro em cada dez doses distribuídas pelo Ministério da Saúde foram efetivamente aplicadas. Ao todo, 21,9 milhões de vacinas foram enviadas a estados e municípios, mas apenas 8 milhões chegaram aos braços da população.

Os impactos dessa baixa adesão aparecem nos dados da plataforma Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz. Em 2025, pelo menos 10.410 pessoas desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave após infecção por coronavírus, com cerca de 1,7 mil mortes. Os números consideram apenas casos confirmados por testes laboratoriais e ainda podem crescer devido a registros tardios no sistema de vigilância.

Para o coordenador do Infogripe, Leonardo Bastos, o coronavírus segue entre os vírus respiratórios mais perigosos.

A covid não foi embora. De tempos em tempos temos surtos e avaliamos se eles podem se transformar em uma epidemia. Os números atuais de casos e mortes ainda são muito altos, mas acabaram sendo normalizados após o período crítico da pandemia”, afirma.

A pesquisadora Tatiana Portella destaca que, diferente da gripe, a covid-19 não apresenta sazonalidade definida. Segundo ela, novas ondas podem surgir a qualquer momento com o aparecimento de variantes mais transmissíveis.

Não há como prever quando isso vai acontecer. Por isso, é essencial que a população mantenha a vacinação em dia”, recomenda.

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico para crianças, idosos e gestantes, além da recomendação de reforços periódicos para grupos especiais. Mesmo assim, o cumprimento desse calendário enfrenta dificuldades. Em 2025, cerca de 2 milhões de doses foram aplicadas em crianças, mas o Ministério da Saúde não informou o índice total de cobertura.


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Dados do painel público de vacinação indicam que apenas 3,49% das crianças menores de um ano foram vacinadas no período. O Ministério informou que os números subestimam a cobertura real, já que o público-alvo inclui crianças de até cinco anos, além de gestantes e idosos, e que trabalha na consolidação dos dados por faixa etária.

Mesmo durante o período de emergência sanitária, a meta de 90% de cobertura não foi alcançada. Até fevereiro de 2024, apenas 55,9% das crianças de 5 a 11 anos e 23% das de 3 e 4 anos haviam sido vacinadas.

Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, a principal explicação é a redução da percepção de risco.

O ser humano se move pela percepção de risco. Quando a vacina chegou às crianças, o cenário era de menos casos e menos mortes. Isso abriu espaço para o efeito do antivacinismo e das fake news”, avalia.

Os dados, no entanto, indicam que o risco permanece elevado. Crianças com menos de dois anos formam o segundo grupo mais vulnerável às complicações da covid-19, atrás apenas dos idosos. Entre 2020 e 2025, quase 20,5 mil casos graves foram registrados nessa faixa etária, com 801 mortes. Em 2024, quando a doença estava considerada controlada, ainda houve 55 óbitos e 2.440 internações.

Além disso, crianças podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica, complicação rara associada à covid-19, com taxa de mortalidade de cerca de 7%. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou aproximadamente 2,1 mil casos da síndrome, com 142 mortes. Estudos internacionais também apontam maior incidência de problemas cardiovasculares após a infecção em crianças e adolescentes.

Em contrapartida, a eficácia e a segurança das vacinas são comprovadas. Um acompanhamento feito em São Paulo com 640 crianças e adolescentes vacinados com a CoronaVac mostrou que apenas 56 foram infectados após a imunização, nenhum com quadro grave. Entre 2022 e 2023, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças no Brasil, com poucas notificações de eventos adversos, majoritariamente leves, segundo o Ministério da Saúde.

Isabela Ballalai ressalta ainda o papel dos profissionais de saúde para ampliar a cobertura vacinal. Para ela, é necessário fortalecer a formação médica e garantir atualização constante baseada em evidências científicas, além de uma recomendação ativa da vacinação às famílias.

*Com informações de SBT News.