7 de Setembro: como um feriado civil virou desfile militar

O 7 de Setembro marca a Independência do Brasil, proclamada por Dom Pedro I às margens do rio Ipiranga, em São Paulo, em 1822. A data, comemorada nesta segunda-feira (7), é feriado nacional desde a Lei nº 662, de 1949, atualizada pela Lei nº 10.607, de 2002, e costuma ser celebrada com desfiles cívico-militares em diferentes cidades do país.
A separação entre Brasil e Portugal resultou principalmente de um processo político conduzido pelas elites locais, que ficaram insatisfeitas com medidas econômicas impostas pela metrópole após o retorno da família real a Portugal. O Exército Imperial, ainda em formação, participou de campanhas militares na Bahia, no Maranhão, no Pará e na região da Cisplatina, atual Uruguai, que resultaram em aproximadamente 1.300 mortes. Ainda assim, o movimento pela independência teve caráter majoritariamente civil.
A origem do desfile cívico-militar
A associação direta entre o 7 de Setembro e as Forças Armadas é mais recente que o próprio episódio de 1822. Ela se consolidou a partir do golpe civil-militar de 1964 e se intensificou após o endurecimento do regime em 1968. Em 1969, o então presidente Emílio Garrastazu Médici sancionou a Lei nº 5.571, que atribuiu à celebração da Independência o papel de exaltar o amor à pátria e cultuar as tradições nacionais, formalizando o modelo de desfile ainda utilizado hoje.
Ao longo da história republicana, as Forças Armadas também estiveram envolvidas em outros episódios políticos, como a Proclamação da República, em 1889, o fechamento do Congresso em 1891, a Revolução de 1930, o Estado Novo, a deposição de Getúlio Vargas e o golpe de 1964. Esses episódios contribuíram para consolidar a presença militar nas comemorações cívicas do país.
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Como outros países celebram suas datas nacionais
Em democracias liberais consolidadas, os militares costumam ter papel reduzido nas celebrações nacionais. Nos Estados Unidos, o 4 de Julho remete à independência conquistada após a Guerra Revolucionária Americana, mas a data é marcada por paradas civis, com carros alegóricos e apresentações culturais, sem desfiles militares como demonstração de força.
Na Itália, a Festa da Libertação, em 25 de abril, celebra o fim do fascismo com foco na sociedade civil, enquanto a Festa da República, em 2 de junho, inclui desfile militar em Roma, mas com elementos simbólicos de subordinação das Forças Armadas ao poder civil.
A Alemanha não inclui participação militar em seu feriado da Unificação, em 3 de outubro. Já a França mantém, desde 1880, um amplo desfile militar em 14 de julho, data da Queda da Bastilha, hoje associado também a temas de cooperação internacional e manutenção da paz.
Desfile no Brasil segue centrado nas Forças Armadas
Diferentemente da maioria das democracias liberais consolidadas, o 7 de Setembro no Brasil segue centrado nas Forças Armadas, sem incorporar, na mesma proporção observada em outros países, uma participação ampla da sociedade civil nas comemorações oficiais.





