BR-319: licitações são reagendadas e obras voltam ao cronograma

Após a tentativa de barrar a reconstrução da BR-319 por decisão judicial, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes remarcou para o dia 20 de maio duas licitações para obras no chamado “trecho do meio” da rodovia, que liga Manaus a Porto Velho. Os processos estavam inicialmente previstos para o fim de abril, mas foram temporariamente suspensos. A nova data foi publicada no Diário Oficial da União, oficializando a retomada do cronograma por parte do governo federal.
Os editais contemplam os trechos entre os quilômetros 250,7 e 346,2 e entre 346,2 e 433,1, considerados pontos críticos da rodovia, que há décadas enfrenta problemas de trafegabilidade, especialmente durante o período chuvoso. Na última semana, o DNIT já havia retomado outros dois pregões: um deles, referente ao trecho entre os quilômetros 469,6 e 590,1, recebeu propostas de 19 empresas; já o edital que abrange o segmento entre 433,1 e 469,6 registrou 20 propostas. Ambos seguem em fase de análise técnica e de habilitação das concorrentes.
A paralisação ocorreu após pedido do Observatório do Clima, acatado pela Justiça Federal do Amazonas, que apontou a necessidade de avaliação de impactos ambientais na região. A decisão, no entanto, foi revertida após recurso da Advocacia-Geral da União, que argumentou haver risco de prejuízos ao cronograma e à execução das obras ainda em 2026. A Justiça considerou que a suspensão poderia causar danos à administração pública e comprometer investimentos já previstos.
A BR-319 é considerada estratégica para a integração logística da Região Norte, ao conectar o Amazonas ao restante do país por via terrestre. Ao mesmo tempo, o projeto enfrenta críticas de especialistas e entidades ambientais, que alertam para possíveis impactos na floresta amazônica, incluindo aumento do desmatamento e pressão sobre áreas protegidas. O governo federal, por sua vez, afirma que a reconstrução será acompanhada de medidas de controle e monitoramento ambiental, buscando equilibrar desenvolvimento econômico e preservação.
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