O que são terras raras e por que esses 17 elementos são tão importantes?

Em entrevista ao Onda News, nesta terça-feira (18/8), o economista, consultor empresarial e especialista em desenvolvimento regional da Amazônia, Osíris Messias Araújo da Silva, explicou que as terras raras são formadas por 17 elementos químicos que ganharam importância com o avanço da indústria de alta tecnologia.
As terras raras estão entre os minerais considerados estratégicos para o avanço da tecnologia no mundo. Apesar do nome, não são necessariamente raras na natureza. O que torna esses elementos valiosos é a dificuldade de extração e processamento e, principalmente, sua importância para a fabricação de produtos tecnológicos.
“Terras raras é como se fosse o novo petróleo”, afirmou Osíris, ao comparar o papel desses minerais na atual transformação tecnológica com o impacto que o petróleo teve sobre a economia mundial no século XX.

Onde as terras raras estão presentes?
Segundo o especialista, as terras raras estão diretamente relacionadas a diferentes setores da indústria moderna. Entre as aplicações citadas estão carros elétricos, computadores, foguetes e equipamentos eletrônicos.

“Tudo que você imaginar hoje da indústria automobilística, carro elétrico, foguetes, computadores, enfim, tudo que você imaginar hoje, a base é o mineral terras raras”, destacou.
Esses elementos possuem propriedades físicas e químicas específicas que permitem sua utilização em componentes eletrônicos, ímãs permanentes, motores elétricos, equipamentos militares, sistemas de comunicação e diversas outras tecnologias.
Na prática, as terras raras estão ligadas à fabricação de produtos que fazem parte da transição para uma economia cada vez mais digital e eletrificada.
Saiba mais:
Cinco candidaturas são homologadas para disputa pelo comando do MPAM
Agora todo mundo tem uma ‘tropa’ para chamar de sua
Amazonas possui reservas
O Brasil está entre os países que possuem grandes reservas desses minerais. De acordo com Osíris, existem áreas com reservas em Goiás, Minas Gerais, Amazonas e Rio de Janeiro.
No Amazonas, o economista cita Presidente Figueiredo como uma das áreas com ocorrência de terras raras.
O potencial brasileiro, segundo ele, é significativo. Osíris afirmou que o país possui aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas geológicas, mas ainda produz pouco quando comparado ao potencial existente.

Brasil tem reserva, mas ainda produz pouco
O contraste entre reserva e produção é um dos principais pontos levantados pelo especialista.
Segundo os números apresentados por Osíris, enquanto o Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas em reservas, a produção nacional é de aproximadamente 2 mil toneladas por ano.
Para o economista, o problema está relacionado à falta de investimentos em pesquisa, ciência, tecnologia e desenvolvimento de cadeias produtivas capazes de transformar os recursos minerais em produtos de maior valor agregado.
“Nós não investimos em pesquisa, ciência e tecnologia e estamos perdendo nos espaços, como já perdemos em diversas outras cadeias produtivas, sobretudo na área eletrônica”, afirmou.
Por que as terras raras são estratégicas?
A importância das terras raras aumentou com a corrida mundial por tecnologias mais avançadas. A expansão dos veículos elétricos, da eletrônica, das energias renováveis, da indústria aeroespacial e de equipamentos de alta precisão ampliou a demanda por esses minerais.
Por isso, países que dominam não apenas as reservas, mas também a extração, o processamento e a transformação desses elementos em produtos tecnológicos possuem uma vantagem estratégica na economia global.
Osíris compara esse momento com outras grandes transformações econômicas da história. Segundo ele, assim como o vapor revolucionou os transportes durante a Revolução Industrial e o petróleo transformou a economia mundial no século XX, as terras raras estão no centro da atual revolução tecnológica.
Para o Amazonas, o desafio está em transformar o potencial mineral existente em desenvolvimento econômico, investimentos, empregos e tecnologia, evitando que a região apenas forneça matéria-prima para outros mercados.
“Tudo é um encadeamento de cadeias produtivas”, resumiu o especialista.





