Nova ferramenta Pap-Online aplica IA no diagnóstico do câncer de colo do útero

Foto: Divulgação
Um projeto de saúde desenvolvido pela startup WIT Tecnologia em parceria com o Instituto Conecthus, sob coordenação do pesquisador amazonense Pedro Elias de Souza, o Pap-Online, utiliza inteligência artificial para o diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, doença cuja incidência no Amazonas é 139% superior e taxa de mortalidade três vezes maior que a média nacional.
O Pap-Online foi financiado com recursos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Lei de Informática da Zona Franca de Manaus (ZFM) e será apresentado no “M-novator Startups Zone”, na feira Medical Taiwan 2026, que ocorrerá de 25 a 27 de junho, em Taipei. A iniciativa concorre com projetos de diversos países e será apresentada a cerca de 8 mil representantes de empresas integrantes da cadeia de suprimentos médica asiática.
A solução foi criada para enfrentar um dos principais gargalos da saúde na região: a demora na análise do exame de Papanicolau. Atualmente, amostras coletadas no interior podem levar de 8 a 12 meses até a entrega do resultado à paciente. Com o Pap-Online, a leitura das lâminas é feita por inteligência artificial e enviada digitalmente a um patologista, permitindo a devolutiva em até 48 horas.
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Projeto em fases
Na primeira fase, o sistema foi treinado com mais de 10 mil exames para identificar lesões precursoras. A próxima etapa prevê ampliar a base para 50 mil testes. Ensaios iniciais com amostras do município de Iranduba (AM) já possibilitaram a detecção de casos positivos e o início do tratamento.
Para o superintendente-adjunto de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica da Suframa, Waldenir Vieira, a seleção do projeto evidencia o alcance social dos investimentos em PD&I da Lei de Informática. “Trata-se de uma tecnologia desenvolvida na Amazônia que alia inovação e impacto social, reduzindo desigualdades no acesso ao diagnóstico e salvando vidas”, destaca Vieira.
O pesquisador Pedro Elias de Souza explica que o próximo passo é integrar a solução a um equipamento portátil para uso em comunidades indígenas e ribeirinhas, ampliando o rastreamento e fortalecendo a prevenção em áreas de difícil acesso. “Nossa participação na Medical Taiwan para potenciais investidores, além de facilitar o desenvolvimento amplo do projeto, também demonstra a importância da utilização de políticas como a desenvolvida pela Suframa, para a implementação de tecnologias que beneficiam as pessoas da região”, frisou Souza.





