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O que realmente muda o gosto do café que chega à sua xícara? Entenda

Uma das bebidas mais consumida pelo brasileiro tem diferenças e nuances que começam na produção e vão até o preparo e chegada na xícara
07/03/26 às 08:00h
O que realmente muda o gosto do café que chega à sua xícara? Entenda

Café expresso tem sabor diferenciado

O café está entre as bebidas mais consumidas no Brasil e movimenta uma cadeia produtiva que vai do campo às cafeterias especializadas. Presente no cotidiano de milhões de brasileiros, o produto reúne diferentes espécies, métodos de processamento, tipos de torra e formas de preparo, que influenciam diretamente o sabor final na xícara.

No mundo, duas espécies concentram a maior parte da produção. A Coffea arabica, conhecida como arábica, responde por cerca de 60% do mercado global. Cultivada em áreas de maior altitude, é associada a bebidas mais aromáticas, com acidez equilibrada e notas que podem variar entre frutadas e florais.

Café da espécie arabica
Café da espécie arábica é o preferido do mercado consumidor (Foto: Reprodução)

Já a Coffea canephora, popularmente chamada de robusta ou conilon, apresenta maior resistência a pragas e temperaturas elevadas. Possui teor mais alto de cafeína e sabor mais intenso, sendo utilizada com frequência em cafés solúveis e em blends.

Café da espécie canephora
Café da espécie canephora, conhecido como robusta, foi adaptado para produção na Amazônia (Foto: Reprodução)

No Brasil, o arábica é predominante em estados como Minas Gerais e São Paulo, enquanto o conilon tem forte presença no Espírito Santo e também avança em áreas da Região Norte. A escolha da espécie influencia não apenas o perfil sensorial, mas também o preço e o posicionamento do produto no mercado.

No Amazonas, plantios nos municípios de Apuí, no Sul do Estado, Silves e Rio Preto da Eva, ambos na Região Metropolitana de Manaus, são de robusta amazônica, variante do Coffea canephora desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias da Amazônia Ocidental (Embrapa).

Café da espécie robusta amazônica é produzido no município de Apuí, no Sul do Amazonas
Café da espécie robusta amazônica é produzido no município de Apuí, no Sul do Amazonas (Foto: Reprodução)

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Sabor altera conforme processamento

Além da variedade do grão, o processamento após a colheita interfere no resultado final. No método natural, também chamado de via seca, o fruto é seco com a casca, o que tende a produzir cafés mais encorpados e adocicados. No sistema lavado, ou via úmida, a polpa é retirada antes da secagem, resultando em bebida mais limpa e com acidez acentuada. Há ainda o método conhecido como honey, intermediário, que mantém parte da mucilagem do fruto durante a secagem e busca equilíbrio entre doçura e acidez.

Outro fator determinante é a torra. A torra clara preserva características originais do grão e ressalta a acidez. A torra média busca equilíbrio entre doçura, corpo e aroma. Já a torra escura produz bebida mais intensa e amarga, comum em cafés de perfil tradicional no mercado brasileiro.

Cafés torrados
A torra escura ou clara interfere no gosto final do cafezinho que você toma (Foto: Reprodução)

A classificação comercial também varia. Cafés rotulados como tradicionais costumam reunir mistura de arábica e robusta, com torra mais escura. Os chamados superiores apresentam maior proporção de arábica. Os gourmets são, em geral, 100% arábica e seguem critérios mais rígidos de seleção. Já os especiais são avaliados por protocolos internacionais e precisam alcançar pontuação mínima de 80 pontos em escala de qualidade.

Na etapa final, o modo de preparo transforma a experiência do consumidor. Métodos como expresso, coado em filtro de papel ou pano, prensa francesa, moka, aeropress e cold brew alteram corpo, intensidade e percepção de sabor, mesmo quando utilizam o mesmo grão.

 

Café expresso
Café expresso tem sabor diferenciado (Foto: Reprodução)
Café em coador de pano
Café em coador de pano (Foto: Reprodução)
Café em coador de papel
Café em coador de papel (Foto: Reprodução)
Moka, café preparado â maneira italiana
Moka, café preparado à maneira italiana (Foto: Reprodução)

Com diversidade que começa na lavoura e termina na xícara, o café se consolida como produto agrícola, item de consumo diário e segmento em expansão no mercado de bebidas, impulsionado pelo interesse crescente por qualidade e origem.

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