O rio batizado por espanhóis e a cidade inspirada na França: a Copa do Mundo é aqui também

França e Espanha, que se enfrentam nesta terça-feira (14) pela Copa do Mundo Fifa 2026, deram grandes contribuições sócio-culturais e científicas para o Amazonas e que hoje formam a nossa identidade brasileira e também frequentam nosso imaginário popular.
O explorador espanhol Francisco de Orellana foi o primeiro europeu a navegar todo o rio Amazonas (1541-42), e batizou-o com este nome após confrontos com guerreiras indígenas que eles associaram às Amazonas da mitologia grega.
Além de batizar nosso grande rio, orgulho de dez entre dez amazonenses, a expediição também entrou no imaginário popular a partir dos relatos de um padre domenicano, frei Gaspar de Carvajal, que relatou o encontro com as índias e as aventuras da expedição de Orellana.
No livro “Relato da nova descoberta do famoso Rio Grande, realizada pelo capitão Francisco de Orellana graças a uma grande ventura” Carvajal conta que as indígenas, as Icamiabas, entraram em conflito com a armada de Orellana na região do Lago Espelho da Lua (Yacy Uaurá), no município de Nhamundá, e eram grande guerreiras que aparentemente tiravam um dos seios para melhor empunhar os arcos de flexa.

Carvajal também descreve as habilidades delas para a confecção dos muiraquitãs, pequenos amuletos feitos de uma pedra verde muito bonita, que pode ser jade ou nefrita, e com forma de um sapo típico da região.

Francês desce o grande rio
Se Orellana subiu e batizou o rio Amazonas, três séculos depois foi a vez do naturalista francês Charles-Marie de La Condamine descer o nosso grande rio em uma expedição geodésica, produzindo um dos primeiros mapas detalhados da região e levando à Europa amostras de borracha, o que ajudaria a impulsionar no século seguinte todo o ciclo econômico que transformou Manaus.

Este primeiro grande ciclo econômico criou o que hoje conhecemos como “Belle Époque” (entre o final do século XIX e XX) e durante ele Manaus se inspirou fortemente na arquitetura e cultura francesa, tornando-se mundialmente conhecida como a “Paris dos trópicos.
São dessa época a construção do mercado Adolpho Lisboa, inspirado no mercado Les Halles, existente em Paris, e na inclusão de materiais e influências na construção do Teatro Amazonas. São famosos os relatos de que os ricos barões da borracha enviavam as roupas de festa para serem lavadas exatamente na capital francêsa.

Com essas contribuições e laços culturais, agora cabe ao amazonense escolher por quem vai torcer nesta partida, que acontece às 15h (horáriio de Manaus), no AT&T Stadium, na cidade de Dallas, capital do Texas.





