Manaus ganha instituto de pesquisas do Exército voltado à inovação e defesa

A inauguração do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM), realizada nesta segunda-feira (29), em Manaus, representa um novo capítulo para o desenvolvimento científico, tecnológico e estratégico da Amazônia.
Durante a solenidade, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) anunciou a destinação de R$ 15 milhões para a implantação dos laboratórios de Inteligência Artificial e de Ciências Quânticas, estruturas consideradas fundamentais para fortalecer pesquisas voltadas à defesa nacional, monitoramento ambiental e inovação.
Os recursos serão viabilizados por meio de uma articulação entre o Ministério da Defesa e parlamentares da bancada do Amazonas. Do total, R$ 5 milhões serão destinados pelo Ministério da Defesa, outros R$ 5 milhões por emenda individual do senador Eduardo Braga e os R$ 5 milhões restantes pelos deputados federais Adail Filho (MDB) e Silas Câmara (Republicanos).
IA para monitorar Amazônia
Segundo Braga, o Laboratório de Inteligência Artificial desenvolverá tecnologias capazes de ampliar o monitoramento da BR-319, das fronteiras brasileiras e de sistemas estratégicos utilizando inteligência artificial e drones.
Já o Laboratório de Ciências Quânticas será dedicado ao desenvolvimento de tecnologias para telecomunicações seguras e proteção das comunicações estratégicas do país.
“Esses dois laboratórios são fundamentais para dominarmos as telecomunicações quânticas e avançarmos na inteligência artificial aplicada ao monitoramento, à questão energética e a outras áreas estratégicas para o Brasil”, afirmou o senador.
O congressista destacou ainda que o investimento vai além da infraestrutura tecnológica e permitirá ampliar a formação de recursos humanos especializados na Amazônia.
“Este ano já iniciamos com 24 alunos entre mestrado, doutorado e pós-doutorado. No começo de 2027 estaremos próximos de 84 pesquisadores. Nossa meta é trazer o Instituto Militar de Engenharia por inteiro para a Amazônia, com graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado”, declarou.
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Formação científica na região
O diretor do IPEAM, general Galdino, afirmou que o instituto nasce com a missão de consolidar um ambiente permanente de pesquisa científica na Amazônia.
Além da pós-graduação, o instituto iniciará um projeto piloto em Itacoatiara, em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), atendendo cerca de 440 estudantes e professores da educação básica.
O projeto também contará com integração de dados do Censipam e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), fortalecendo a cooperação entre instituições militares, universidades e centros de pesquisa.
Múcio defende previsibilidade
Durante a cerimônia, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que o IPEAM integra a estratégia do governo federal de descentralizar a produção científica e tecnológica, levando centros de excelência para as regiões Norte e Nordeste.
“Em vez de esses jovens irem para o Sul, agora estamos trazendo professores para o Norte. Fizemos isso com o ITA na Bahia e agora estamos chegando aqui. Esta é uma semente que tem tudo para se transformar em uma grande árvore para a Amazônia e para o Brasil”, afirmou.
Em entrevista à Rede Onda Digital, Múcio também chamou atenção para o baixo investimento brasileiro em defesa, comparando o orçamento nacional ao de países vizinhos.
“O Brasil investe apenas 1% do PIB em defesa. A Colômbia investe 3,4% e o Chile cerca de 2,8%. Defesa não é para invadir ninguém; é para garantir que ninguém invada o nosso país.”
O ministro defendeu ainda a criação de uma política de previsibilidade orçamentária para o setor.
“Os países que avançam preservam investimentos contínuos em defesa. É um investimento que protege a soberania nacional e não deveria depender das mudanças políticas.”





