Economia prateada: envelhecimento abre espaço para turismo e serviços no Amazonas

Turistas “prateados” querem protagonismo, vivência, experiências inovadoras, engajamento social e econômico nas viagens deles
A economia prateada, formada por consumidores com 60 anos ou mais, abre novas frentes de crescimento no Brasil e no Amazonas, com destaque para o turismo. A avaliação é do economista da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomercio/AM), João Araújo, que aponta o avanço desse público como uma oportunidade para ampliar serviços voltados à longevidade e diversificar a oferta turística no estado.
O movimento acompanha uma tendência nacional. Dados divulgados pela Agência Brasil indicam que o país já reúne mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, um contingente que movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano. Além do peso no consumo, cresce também a participação desse público no empreendedorismo, com idosos à frente de pequenos negócios em diferentes setores. A população 60+ do Brasil é a quinta maior do planeta.
No Amazonas, segundo Araújo, o turismo aparece como uma das áreas mais promissoras dentro desse cenário. O público 60+ tende a buscar experiências com maior conforto, segurança e planejamento, o que pode impulsionar segmentos como hotelaria, transporte, gastronomia e serviços personalizados. A avaliação é de que roteiros adaptados, atendimento especializado e infraestrutura acessível podem ampliar a permanência e o gasto médio desses visitantes.
A chamada economia prateada reflete uma mudança no perfil da população idosa, que se mantém mais ativa, conectada e disposta a consumir. Esse comportamento tem estimulado o surgimento de novos produtos e serviços, incluindo soluções em saúde, bem-estar, finanças, moradia e lazer.
Apesar do potencial, especialistas apontam desafios para a consolidação desse mercado. Entre eles, a necessidade de qualificação de serviços, adaptação de espaços urbanos e redução de barreiras no acesso a tecnologias. No caso do turismo no Amazonas, questões logísticas e de infraestrutura ainda são apontadas como entraves para atender de forma mais ampla esse público.
Mesmo com essas limitações, a avaliação do setor é de que o envelhecimento da população deve ampliar a demanda por serviços específicos nos próximos anos. Para o economista da Fecomércio-AM, o cenário exige planejamento e investimento para que o estado consiga aproveitar o crescimento desse mercado e transformar a longevidade em vetor de desenvolvimento econômico.
Empreendedorismo voltado ao 60+
Em termos de Brasil, que em breve será o quinto País do mundo com a maior população 60+, os segmentos com maior potencial para o público é o de saúde e bem-estar, como academias especializadas. “Treino adaptado, acompanhamento, foco na funcionalidade e não apenas na estética”, aponta a gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae, Gilvany Isaac. .
Outro nicho são os negócios da telemedicina e serviços de monitoramento remoto de saúde. “Os cuidadores também vêm com uma força muito grande porque podem ser microempreendedores individuais (MEI) e ter um CNPJ, o que vai ser muito importante para as famílias que querem o conforto de um contrato, bem como para os próprios cuidadores”, diz.
Outro segmento com amplo potencial para atender a população é o de turismo e lazer, especialmente empresas que oferecem pacotes fora da alta temporada, com roteiro cultural e viagens de experiência. Ela destaca ainda os serviços na área financeira, como planejamento para aposentadoria ativa, além da habitação adaptada.
“Estamos falando de arquitetura e de soluções de acessibilidade de moradias, que fazem uma adaptação em residências para dar um conforto melhor para pessoa idosa”, exemplifica.
Gilvany ressalta ainda, do lado dos consumidores 60+, um movimento crescente no comércio eletrônico. Eles compram mais pela internet, mas é preciso incrementar o engajamento digital desse público, que hoje constitui a parcela da população que mais recebe golpes. Há um crescimento de escolas de computação e de conhecimento eletrônico voltadas para esse segmento.
Mel Mania
O microempreendedor João Lopes procurou o Sebrae para saber como formatar o negócio dele para atender especificamente o público 60+. Em junho de 2024 criou a Mel Mania, que comercializa a substância. Aos 54 anos, João viu nesse público uma forte oportunidade de negócio.
“O meu público é totalmente 60+. Eu tenho um cliente com 84 anos que compra mensalmente, como se fosse uma assinatura. A família toda consome, mas ele é a porta de entrada”, explica.
Além da venda do mel, para todo o país, a empresa capacita, sem custos, pessoas que contam com espaços ociosos para a produção do produto. João oferece instrumentos, suporte e depois compra a produção dos parceiros. A Mel Mania já inseriu 112 pessoas na apicultura.






