Cervejas sem glúten invadem o mercado brasileiro a partir de cervejarias artesanais

(Foto: Reprodução/Freepik)
O segmento de cervejas sem glúten cresce de forma consistente no Brasil e passa a integrar o planejamento de cervejarias artesanais e também das grandes indústrias do setor. O avanço ocorre em resposta a mudanças no perfil do consumidor e ao aumento da informação sobre restrições alimentares.
Nos últimos anos, microcervejarias brasileiras passaram a desenvolver receitas próprias sem glúten, seja com o uso de grãos alternativos a cerveja ou trigo, seja com processos tecnológicos capazes de reduzir a presença da proteína.

Ao mesmo tempo, grupos cervejeiros de grande porte incluíram rótulos sem glúten em seus portfólios, ampliando a distribuição e tornando esse tipo de produto mais acessível. A gigante InBev, que controla a brasileira Ambev, desenvolveu para o mercado brasileiro uma versão sem glúten da tradicional Stella Artois. Já a divisão brasileira desenvolveu uma nova cerveja para este público que rejeita o glúten, a Michelob.

Outra gigante do mercado brasileiro, a Heinekken do Brasil colocou no mercado uma versão sem glúten da cerveja holandesa Amstell, uma das campeãs de venda do grupo, cuja distribuição no País é feita pelo grupo Solar, dono da Coca-Coca do Brasil.

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Público específico aprova nova fórmula
Os consumidores dessas cervejas formam um público diverso. Estão incluídas pessoas com doença celíaca, que precisam excluir o glúten da alimentação. Há também consumidores com sensibilidade ao glúten não celíaca, que relatam desconfortos digestivos após o consumo de produtos tradicionais.
Outro grupo é formado por pessoas que buscam opções alinhadas a escolhas alimentares mais controladas, mesmo sem restrição médica formal.
O glúten é um conjunto de proteínas presente principalmente no trigo, na cevada e no centeio. Na produção de cerveja tradicional, a cevada maltada fornece açúcares fermentáveis e também o glúten. No organismo de pessoas com doença celíaca, essa proteína desencadeia uma resposta do sistema imunológico que provoca inflamação e lesões no intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes. Em indivíduos sem essa condição, o glúten é digerido sem causar efeitos adversos comprovados.
As cervejas sem glúten são produzidas por dois caminhos principais. Um deles substitui a cevada por matérias-primas naturalmente isentas de glúten, como sorgo, arroz, milho ou outros cereais e pseudocereais. O outro utiliza enzimas específicas capazes de quebrar as proteínas do glúten durante o processo de fabricação, reduzindo sua concentração a níveis considerados seguros pela legislação.
A eficiência dessas cervejas depende do método adotado e do grau de sensibilidade do consumidor. Produtos elaborados com grãos naturalmente sem glúten tendem a ser mais indicados para pessoas com doença celíaca, desde que não haja contaminação cruzada na fábrica. Já as cervejas produzidas com cevada e tratadas com enzimas alcançam baixos níveis de glúten, mas podem não ser adequadas para todos os consumidores sensíveis.
Entre as vantagens apontadas estão a ampliação do acesso à bebida por pessoas antes excluídas do consumo, a diversificação de estilos disponíveis e o avanço tecnológico nas cervejarias. Para o mercado, o crescimento desse segmento representa uma adaptação a novas demandas e uma estratégia de competitividade.
A presença crescente das cervejas sem glúten nas prateleiras brasileiras indica que esse nicho deixou de ser exceção. Ele passa a ocupar espaço permanente em um setor que combina tradição, inovação e atenção às transformações no comportamento alimentar do consumidor.







