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Cervejas sem glúten invadem o mercado brasileiro a partir de cervejarias artesanais

Mercado visa público que tem resistência ao consumo de proteínas do glutén e assim ampliam o mercado consumidor da mais tradicional bebida brasileira
04/01/26 às 10:00h
Cervejas sem glúten invadem o mercado brasileiro a partir de cervejarias artesanais

(Foto: Reprodução/Freepik)

O segmento de cervejas sem glúten cresce de forma consistente no Brasil e passa a integrar o planejamento de cervejarias artesanais e também das grandes indústrias do setor. O avanço ocorre em resposta a mudanças no perfil do consumidor e ao aumento da informação sobre restrições alimentares.

Nos últimos anos, microcervejarias brasileiras passaram a desenvolver receitas próprias sem glúten, seja com o uso de grãos alternativos a cerveja ou trigo, seja com processos tecnológicos capazes de reduzir a presença da proteína.

Cervejarias artesanais apostaram no segmento de bebidas sem glutén
Cervejarias artesanais apostaram no segmento de bebidas sem glutén

Ao mesmo tempo, grupos cervejeiros de grande porte incluíram rótulos sem glúten em seus portfólios, ampliando a distribuição e tornando esse tipo de produto mais acessível. A gigante InBev, que controla a brasileira Ambev, desenvolveu para o mercado brasileiro uma versão sem glúten da tradicional Stella Artois. Já a divisão brasileira desenvolveu uma nova cerveja para este público que rejeita o glúten, a Michelob.

Cerveja Michelob sem glutén foi desenvolvida para o mercado brasileiro pela Ambev
Cerveja Michelob sem glúten foi desenvolvida para o mercado brasileiro pela Ambev

Outra gigante do mercado brasileiro, a Heinekken do Brasil colocou no mercado uma versão sem glúten da cerveja holandesa Amstell, uma das campeãs de venda do grupo, cuja distribuição no País é feita pelo grupo Solar, dono da Coca-Coca do Brasil.

Tradicional marca holandesa, a Amstel ganhou uma versão sem glutén comercializada pelo grupo Heinekken
Tradicional marca holandesa, a Amstel ganhou uma versão sem glúten comercializada pelo grupo Heinekken

 


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Público específico aprova nova fórmula

Os consumidores dessas cervejas formam um público diverso. Estão incluídas pessoas com doença celíaca, que precisam excluir o glúten da alimentação. Há também consumidores com sensibilidade ao glúten não celíaca, que relatam desconfortos digestivos após o consumo de produtos tradicionais.

Outro grupo é formado por pessoas que buscam opções alinhadas a escolhas alimentares mais controladas, mesmo sem restrição médica formal.

O glúten é um conjunto de proteínas presente principalmente no trigo, na cevada e no centeio. Na produção de cerveja tradicional, a cevada maltada fornece açúcares fermentáveis e também o glúten. No organismo de pessoas com doença celíaca, essa proteína desencadeia uma resposta do sistema imunológico que provoca inflamação e lesões no intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes. Em indivíduos sem essa condição, o glúten é digerido sem causar efeitos adversos comprovados.

As cervejas sem glúten são produzidas por dois caminhos principais. Um deles substitui a cevada por matérias-primas naturalmente isentas de glúten, como sorgo, arroz, milho ou outros cereais e pseudocereais. O outro utiliza enzimas específicas capazes de quebrar as proteínas do glúten durante o processo de fabricação, reduzindo sua concentração a níveis considerados seguros pela legislação.

A eficiência dessas cervejas depende do método adotado e do grau de sensibilidade do consumidor. Produtos elaborados com grãos naturalmente sem glúten tendem a ser mais indicados para pessoas com doença celíaca, desde que não haja contaminação cruzada na fábrica. Já as cervejas produzidas com cevada e tratadas com enzimas alcançam baixos níveis de glúten, mas podem não ser adequadas para todos os consumidores sensíveis.

Entre as vantagens apontadas estão a ampliação do acesso à bebida por pessoas antes excluídas do consumo, a diversificação de estilos disponíveis e o avanço tecnológico nas cervejarias. Para o mercado, o crescimento desse segmento representa uma adaptação a novas demandas e uma estratégia de competitividade.

A presença crescente das cervejas sem glúten nas prateleiras brasileiras indica que esse nicho deixou de ser exceção. Ele passa a ocupar espaço permanente em um setor que combina tradição, inovação e atenção às transformações no comportamento alimentar do consumidor.

Tradicional cerveja Stella Artois, produzida pela gigante InBev, agora tem versão sem glutén
Tradicional cerveja Stella Artois, produzida pela gigante InBev, agora tem versão sem glúten