A cor da roupa pode ajudar a salvar crianças de afogamento; entenda

(Fotos: Reprodução/Freepik)
O Brasil registrou 71.663 mortes por afogamento entre 2010 e 2023, segundo o Ministério da Saúde. Desse total, 12.662 casos envolveram adolescentes de 10 a 19 anos e 5.878 tiveram como vítimas crianças de 1 a 4 anos. Os números do Boletim Epidemiológico 2025, divulgados pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), mostram que o afogamento é a segunda maior causa de morte de crianças de 1 a 4 anos no país.
Diante desse cenário, medidas simples como a escolha da cor da roupa de banho têm ganhado atenção. Um estudo realizado em 2023 pela empresa norte-americana Alive Solutions, especializada em segurança aquática, aponta que cores neon, como laranja, verde e amarelo, são mais facilmente visualizadas em piscinas, lagos e no mar, enquanto tons como azul e verde-escuro praticamente desaparecem debaixo d’água. Trajes lisos também oferecem melhor visibilidade do que estampas grandes. Mas será que essa regra vale para os rios amazônicos?

“Na nossa região, a água é escura”
À Rede Onda Digital, o cabo Evandro, guarda-vidas do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), explica que a eficácia das cores chamativas depende do ambiente.
“Em mares e piscinas, roupas neon são mais fáceis de localizar e serem vistas de longe em caso de um possível afogamento. Na nossa região amazônica, que é a água escura, essa roupa chamativa não faz muita diferença”, alerta.

Segundo ele, o principal erro dos pais é usar a roupa como desculpa para relaxar a vigilância.
“A indicação é sempre supervisionar de perto, porque a ideia da roupa chamativa é você supervisionar de longe. Ou seja, você está vendo a criança, o guarda-vidas está vendo a criança com aquela roupa chamativa, e aí se algo acontecer, ele vai conseguir localizar mais fácil”, pontua.
Supervisão direta é insubstituível
O guarda-vidas reforça que a prevenção de afogamentos não pode ser terceirizada.
“A prevenção de salvamento aquático é feita pelo adulto, nunca terceirizar para o irmão mais velho da criança, e sempre próximo, porque a distração ou a distância podem causar afogamentos, e esses afogamentos podem vir a causar problemas sérios. A roupa ajuda em piscinas e praias, mas na nossa região amazônica a principal recomendação continua sendo a atenção direta e próxima ao seu filho.”
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Globalmente, a situação também é grave. Estima-se que 300 mil pessoas morreram por afogamento no mundo em 2021, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Desses casos, 24% envolveram crianças menores de 5 anos e 19% crianças entre 5 e 14 anos.





