Pesquisadores criam baratas que sobrevivem debaixo d’água; entenda como

Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, em parceria com a Universidade Waseda, em Tóquio, desenvolveram um sistema capaz de transformar baratas em ciborgues anfíbios. O dispositivo permite que os insetos se locomovam e respirem debaixo d’água, ampliando suas possibilidades de uso em operações de busca e resgate.
O sistema utiliza um traje flexível que funciona de maneira semelhante a um cilindro de oxigênio para mergulhadores. O equipamento incorpora um pequeno reservatório contendo uma esponja revestida de dióxido de manganês. Ao adicionar peróxido de hidrogênio diluído, ocorre uma reação química que libera oxigênio gradualmente. O oxigênio é conduzido por quatro tubos de silicone conectados aos espiráculos da barata, pequenas aberturas por onde o inseto respira, permitindo que ela permaneça submersa.
A mochila mede apenas 10 por 10 milímetros, aproximadamente o tamanho de um chiclete pequeno, e foi produzida por impressão 3D com material semelhante ao plástico. O projeto buscou o menor peso possível para preservar a mobilidade natural do inseto.
Leia mais
Micro-ondas, aquários e espelhos: veja o que pode estar atrapalhando seu Wi-Fi
Brasileiros passam 52 anos conectados à internet, diz pesquisa
Os testes foram realizados com baratas de Madagascar, espécie escolhida pelo grande porte, resistência e ausência de asas. Equipadas com o dispositivo, elas permaneceram ativas e conseguiram se deslocar debaixo d’água por até três horas, atingindo velocidades ligeiramente inferiores às registradas em terra firme.
A tecnologia já tem histórico de uso em situações reais. Baratas ciborgues equipadas com câmeras infravermelhas participaram de operações de busca e resgate após o terremoto de magnitude 7,7 que atingiu Mianmar em março de 2025. As informações coletadas pelos insetos foram processadas por algoritmos de aprendizado de máquina para ajudar a identificar possíveis sinais de vida sob os escombros.
O professor Hirotaka Sato, da NTU e responsável pelo estudo, afirmou que ampliar a capacidade de deslocamento desses insetos para ambientes aquáticos pode transformá-los em uma ferramenta ainda mais útil em enchentes ou desabamentos, situações em que a água pode bloquear o acesso de robôs convencionais.
A equipe também avalia a possibilidade de adaptar a tecnologia para criar uma espécie de traje espacial para insetos ciborgues, pensando em futuras missões de exploração da superfície de Marte. O estudo, publicado na revista Nature Communications, indica que o projeto pode ser adaptado para outros insetos com sistemas respiratórios semelhantes, como besouros e gafanhotos.
Os experimentos até agora não passaram de alguns centímetros de profundidade, e ainda há desafios técnicos a serem superados antes que o sistema possa ser utilizado em larga escala. A pesquisa segue em andamento.





