Gordura no fígado: esteatose pode evoluir sem sintomas

A gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática, é uma comorbidade comum em pessoas com sobrepeso e obesidade, mas também pode surgir em quem não tem essas características. Como não provoca sintomas, a doença pode evoluir de forma silenciosa e levar a diversas complicações de saúde no longo prazo.
Estima-se que 50 milhões de adultos brasileiros tenham gordura no fígado. Pelo menos 10 milhões apresentam a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH, na sigla em inglês), forma mais grave da doença, em que há inflamação.
Gordura no fígado é marcador de risco cardiovascular
Fernanda Canedo, hepatologista, gastroenterologista e gerente médica da Novo Nordisk, afirma que a condição não deve ser minimizada. “A gordura no fígado não é ‘só uma gordurinha’. Ela é um marcador de gordura visceral e ectópica. Da mesma forma que se acumula no fígado, está se acumulando nos vasos, coração, rins e pâncreas. O paciente com gordura no fígado já tem aumento de risco cardiovascular, fibrilação atrial, infarto, AVC e morte cardiovascular, independentemente da evolução no fígado”, diz.
Da esteatose à MASH: como a doença evolui
Cerca de 20% a 25% dos pacientes com esteatose evoluem para a MASH. Nesses casos, a gordura entra nas células hepáticas e passa a causar inflamação crônica. Sem tratamento, a inflamação começa a provocar cicatrizes, chamadas de fibrose.
A fibrose pode ser leve (F1), moderada (F2) ou avançada (F3). No último estágio, chega à cirrose (F4).
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Fatores de risco para o acúmulo de gordura no fígado
Os principais fatores de risco são o sobrepeso e a obesidade. No entanto, a condição também pode surgir em pessoas que não estão acima do peso.
Pré-diabetes, diabetes, colesterol e triglicérides elevados, alterações genéticas e histórico de consumo de álcool também podem estar associados ao problema.
Tratamento da gordura no fígado: mudança de estilo de vida
Segundo Canedo, mudanças no estilo de vida e na alimentação são determinantes no combate à doença. “O tratamento deve ser individualizado, mas a mudança do estilo de vida é a base do cuidado. Alimentação rica em alimentos naturais e pouco processados, atividade física regular, redução ou eliminação do consumo de álcool e, para quem tem excesso de peso, uma redução de peso sustentável (cerca de 5% a 10% do peso) podem diminuir a gordura e a inflamação no fígado”, diz.





