Vereadores de Manaus alegam “perseguição” na classificação de desenho bíblico

A reclassificação do programa Record Kids – Desenhos Bíblicos, da Rede Record, provocou manifestações de vereadores durante a sessão plenária da Câmara Municipal de Manaus (CMM), na manhã desta terça-feira (3/11).
Durante o debate, vereadores classificaram como ‘perseguidora’ e ‘ditadora’ a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de elevar a classificação indicativa da atração de livre para não recomendada para menores de 12 anos e cobraram esclarecimentos sobre os critérios utilizados na avaliação.
O debate foi iniciado pelo vereador Mitoso, que manifestou indignação com a medida e pediu que o Ministério da Justiça apresente os episódios e as cenas que justificaram a mudança. Para ele, a decisão precisa ser acompanhada de explicações técnicas e transparentes.
“Se existem cenas específicas que justificam essa classificação, que o Ministério da Justiça apresente quais são”, afirmou. O parlamentar também questionou a recomendação de exibição a partir das 20h e comparou os critérios aplicados aos desenhos bíblicos com os utilizados para novelas e outras produções audiovisuais.
Raiff Matos classificou a decisão como “injusta” e “incoerente”. Ele afirmou que há diferenças de tratamento entre conteúdos exibidos na televisão e considerou que a mudança representa uma perseguição à fé cristã.
O republicano João Carlos questionou o que teria mudado no conteúdo das animações para justificar a alteração da faixa etária. Segundo ele, os desenhos são exibidos há mais de duas décadas e mantêm os mesmos episódios.
“Há 23 anos, todos os domingos pela manhã era exibido esse desenho bíblico. O que mudou agora, se são os mesmos episódios?”, questionou.
Dione Carvalho (Agir) também se manifestou em defesa da participação dos pais na formação das crianças e afirmou que é necessário respeitar cada fase do desenvolvimento infantil. O vereador Coronel Rosses acompanhou as críticas e relacionou o debate à preservação dos valores familiares e cristãos.
Jaildo Oliveira também criticou a medida e afirmou que o Ministério da Justiça deveria observar outros conteúdos exibidos na televisão, especialmente novelas. Ele classificou a decisão como “perseguidora” e citou a liberdade de consciência e de crença prevista na Constituição Federal.
O que diz a portaria
A mudança consta na Portaria CGPCIND/DSPRAD/SEDIGI nº 2.272, de 28 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 29 de outubro. O documento aponta quatro descritores de conteúdo: atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito.
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A classificação pretendida pela emissora era livre, mas o Ministério atribuiu a faixa de 12 anos e recomendou a exibição a partir das 20h na televisão aberta. O texto não identifica episódios ou cenas específicas que motivaram a avaliação.
A mesma sequência de atos publicados pelo órgão também apresenta classificações de outras produções audiovisuais e jogos, com diferentes faixas etárias, incluindo títulos como Fogaréu, Filhas da Noite, Moss: The Forgotten Relic e Bendy: Lone Wolf.
A classificação indicativa não significa proibição da obra, mas uma orientação sobre a adequação do conteúdo às diferentes faixas etárias.





