Trump e Lula enfrentarão Congressos de oposição a partir de 2027

A vitória eleitoral não garante tranquilidade para governar. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump terá pela frente um Congresso dominado pelos democratas, que conquistaram maioria na Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3).
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito em 25 de outubro, também começará o novo mandato diante de um Congresso com forte presença da oposição.
Revés para Trump
A derrota republicana representa um revés político para Trump na segunda metade do mandato. Com o controle das duas Casas, os democratas terão mais poder para barrar projetos do presidente, dificultar a aprovação do orçamento, investigar integrantes do governo e pressionar a administração por meio de comissões parlamentares.
A nova composição também pode dificultar a aprovação de indicações para cargos estratégicos, que dependem do Senado. Trump ainda poderá vetar propostas aprovadas pelos parlamentares, mas enfrentará uma oposição com maior capacidade de fiscalização e de resistência à sua agenda.
Lula não terá maioria
No Brasil, o cenário tem semelhanças, mas dinâmica própria. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, mas as eleições legislativas não lhe garantiram maioria parlamentar.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, elegeu 121 deputados federais e ampliou sua presença no Senado, onde terá 29 das 81 cadeiras na próxima legislatura. O PT conquistou 70 vagas na Câmara. Somadas, as bancadas de direita terão maioria nas duas Casas.
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Diferentemente dos Estados Unidos, onde a disputa legislativa se concentra em dois grandes partidos, o Brasil tem um Congresso fragmentado, com diversas legendas e grupos políticos. Isso obriga o presidente a construir alianças para aprovar projetos, negociar cargos e buscar apoio de partidos que nem sempre integram formalmente sua base.
Assim, a aprovação de propostas econômicas, sociais e administrativas dependerá da articulação do governo com o Centrão e outras bancadas. A oposição também terá espaço para dificultar votações e pressionar o Executivo.
Nos dois países, o resultado deixa um recado: a força conquistada nas urnas não elimina a necessidade de negociação política.





