Tarcísio discorda de Flávio Bolsonaro e diz confiar nas urnas eletrônicas

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adotou discurso diferente do aliado Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar, na quarta-feira (23), que confia nas urnas eletrônicas e que o foco da disputa eleitoral deve estar nas propostas para o país, e não em questionamentos sobre o sistema de votação.
A declaração foi dada durante um evento promovido pela TV Bandeirantes, na capital paulista, um dia após Flávio Bolsonaro fazer declarações sobre as urnas eletrônicas durante um encontro com embaixadores estrangeiros.
“Eu confio nas urnas. Se não confiasse, não estava disputando eleição. Foram as urnas que me trouxeram aqui”, afirmou Tarcísio. O governador acrescentou que o debate político deve priorizar projetos de governo. “Acho que a gente tem que discutir projetos. Sair dessa discussão, que ela não vai levar a lugar nenhum, e começar a pensar projetos”, declarou.
Declarações de Flávio Bolsonaro geraram repercussão
As falas de Tarcísio contrastam com as declarações feitas por Flávio Bolsonaro na reunião com representantes diplomáticos. Na ocasião, o senador afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil seriam fabricadas pela empresa Smartmatic, de origem venezuelana, e citou um relatório da CIA sobre supostas irregularidades em eleições na Venezuela.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu a informação e esclareceu que a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem softwares para o sistema eleitoral brasileiro. O tribunal também reforçou que o relatório citado por Flávio não faz qualquer referência às eleições brasileiras.
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Após a repercussão, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o pré-candidato não questionou a integridade do sistema eleitoral brasileiro, sustentando que ele apenas mencionou fatos públicos relacionados a um relatório da CIA e à reunião com embaixadores realizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.
O episódio remete justamente ao encontro promovido por Jair Bolsonaro com embaixadores, em julho de 2022, quando o então presidente fez críticas ao sistema eletrônico de votação. A reunião levou à condenação do ex-presidente pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível por oito anos.
Tarcísio também comenta tarifa dos EUA
Além do tema eleitoral, Tarcísio também foi questionado sobre a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a parte das exportações brasileiras. O governador afirmou que o Brasil deve manter o diálogo com o governo norte-americano e avaliou que uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade pelo governo brasileiro poderia agravar a disputa comercial, defendendo a continuidade das negociações diplomáticas.





