Polícia Federal recomenda demissão de Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo

A Polícia Federal (PF) concluiu o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e recomendou sua demissão do cargo de escrivão da corporação por abandono de cargo. O relatório final foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), responsável pela decisão definitiva sobre o caso.
Origem do processo disciplinar
O procedimento administrativo foi aberto após Eduardo Bolsonaro perder o mandato de deputado federal, em 18 de novembro de 2025. Com o fim do mandato, ele deveria ter retornado às atividades como escrivão da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, mas permaneceu nos Estados Unidos e não reassumiu a função.
Segundo a PF, não há mais etapas de análise dentro da corporação. O processo foi encerrado com a recomendação de demissão, cabendo ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, decidir se acolhe a conclusão apresentada pela instituição. Antes da decisão, a assessoria jurídica do ministério analisa a regularidade do procedimento.
Eduardo Bolsonaro integra os quadros da Polícia Federal desde 2010, quando foi aprovado em concurso público para o cargo de escrivão. Desde fevereiro de 2025, ele vive nos Estados Unidos, para onde se mudou alegando sofrer perseguição política no Brasil.
Ainda durante a tramitação do processo disciplinar, a Corregedoria Regional da PF no Rio de Janeiro determinou o afastamento do ex-deputado das funções e ordenou a entrega da carteira funcional e da arma de fogo pertencentes à corporação.
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Outros desdobramentos envolvendo Eduardo Bolsonaro
O caso ocorre em meio a outros desdobramentos envolvendo Eduardo Bolsonaro. Em junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo. Os ministros entenderam que ele atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e tentar interferir em processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta semana, o governo dos Estados Unidos concedeu green card a Eduardo Bolsonaro, à esposa e aos filhos. O documento garante residência permanente no país e autoriza a família a viver e trabalhar legalmente em território norte-americano.
A recomendação da Polícia Federal não produz efeito automático. A eventual demissão do ex-deputado do cargo de escrivão dependerá da decisão administrativa final do Ministério da Justiça.





