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Plínio Valério: “Não cheguei em Brasília pedindo favor, cheguei exigindo justiça”

Parlamentar detalha projetos prioritários, critica decisões monocráticas do STF, aponta irregularidades em ONGs e fala sobre sua atuação e expectativas para 2026
29/11/25 às 08:00h
Plínio Valério: “Não cheguei em Brasília pedindo favor, cheguei exigindo justiça”

Foto: reprodução/Jefferson Rudy/Agência Senado

Em conversa exclusiva com a Rede Onda Digital, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) detalhou os entraves para aprovar o PL que redistribui recursos de pesquisa do petróleo, defendeu que parte do auxílio-reclusão seja destinada às vítimas, reafirmou a necessidade de mandato para ministros do STF e criticou a falta de transparência de ONGs após a CPI.

O parlamentar também falou sobre o “reencontro” do PSDB, destacou prioridades para o Amazonas, como a BR-319 e a Zona Franca de Manaus (ZFM) e avaliou o cenário eleitoral de 2026, garantindo que buscará a reeleição preparado com “experiência e firmeza, em defesa do Amazonas”.

Leia a entrevista à íntegra:

Rede Onda Digital – Senador Plínio Valério, o senhor apresentou o PL 5.066/2020, que visa garantir uma distribuição mínima, por regiões, dos recursos de PD&I da exploração de petróleo e gás natural.  Quais os principais obstáculos que o senhor enxerga para que essa lei seja aprovada e implementada efetivamente, especialmente para garantir os benefícios à Região Norte?

Plínio Valério – “O primeiro e grande obstáculo que a gente enfrentou foi a bancada do Rio de Janeiro. A gente conseguiu transpor numa conversa muito boa com o Flávio Bolsonaro, com o Portinho, com o Romário, porque eles temiam que o Rio de Janeiro, que hoje é o polo, perdesse alguma coisa. A gente mostrou que não perderia nada. É que o Norte e o Nordeste precisam ganhar. Você tem uma ideia, o Rio de Janeiro, esses anos todos, do fundo petrolífero, foi de 17 a 20 bilhões de reais. E para nós, através da Universidade da Amazônia, 3 milhões, quer dizer, não é justo. Eles alegavam que o dinheiro tem que ir para lá, porque é lá que tem o petróleo. Claro, eles tiveram dinheiro para pesquisar. A gente conseguiu transpor e aprovou. A dificuldade agora é a pressão que sempre o presidente da casa sofre, para não colocar em pauta. A nossa briga está para colocar em pauta, porque tenho certeza que passa no plenário. Não tenho a menor dúvida que passa nas comissões e no plenário. A luta agora é essa. Você precisa corrigir essas distorções e o dinheiro não quer dizer que ele é obrigado aquele dinheiro você tem que convencer as universidades, as instituições de pesquisa que têm que entrar com o projeto e convencer e aí terá esse dinheiro à disposição para todo Norte e Nordeste”.

Rede Onda Digital – Sobre o PL 6024/2023, de sua autoria, que destina parte do auxílio-reclusão à família da vítima de ato ilícito praticado pelo segurado da Previdência Social.  Como o senhor avalia que essa medida pode impactar a dinâmica de proteção social no Brasil, e especificamente no Amazonas?

Plínio Valério – “Eu gostaria de ver esse projeto aprovado se tornando lei para o auxílio de reclusão também fosse parte dele a família da vítima. É um assunto que gera muita, muita discussão. Eu já ouvi muita gente a favor, muita gente o contrário, eu só acho que a gente tem que olhar também para a família da vítima. O morto, o amor, também era o provedor da família, que é o que se alega, e seguindo as regras que quer ter contribuído para a previdência. Eu acho que o Brasil está precisando ser mais justo com aqueles que precisam e buscam e querem justiça. Você não pode ficar lendo diariamente um noticiário que alguém matou, está na cadeia, mas o benefício social da previdência está indo para a sua família, enquanto que a família da vítima está abandonada. Está gerando muita discussão, muita discussão, ele foi apresentado, eu vejo dificuldade em levar adiante, mas todos os projetos para a gente tornar lei são difíceis de levar adiante. Eu já levei quatro, então vamos continuar persistindo com esse projeto, que destina parte do auxílio de reclusão a família vítima do ato ilícito praticado pelo segurado que traz o assassino da Providência Social”.

Rede Onda Digital – O senhor é autor da PEC 16/2019, que propõe fixar mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).  Quais os argumentos centrais que o senhor utiliza para defender essa mudança e como o senhor responde às críticas de que isso poderia afetar a independência do Judiciário?

Plínio Valério – “Olha, essa PEC, que é de 2019, está mais atual do que nunca, se a gente tivesse aprovado essa PEC, Gino, Fachin, não ficariam até os 75 anos. Primeiro falavam que eu estava com revanchismo em 2019, olha só, eu estava chegando, não tinha nem esse acirramento total e ridículo que tem hoje, e nada de revanchismo porque não vale para os ministros que aí estão, eu vejo a necessidade de fixar mandato, sim, porque, olha só, o Fachin vai passar uns 40 anos, né, agora se entrar aí o Bessias, acho que não entra, a gente não vai aprovar, vai passar 35 anos por lá, o Toffoli vai ficar 43, sei lá, então não dá, não dá, porque eles se julgam inimputáveis, ninguém pode mutá-los, não é imputar nenhuma pena, porque eles só vão sair 75 anos, aí já estão aposentados, já estão naquela idade, ele botar a pijama e ir a feira e o que acontece como hoje as decisões que permeiam, que mandam no Supremo Tribunal Federal são decisões monocráticas, pior ainda, o ministro vai dar uma decisão, os outros não questionam e aquilo vale, fica valendo, então ele acaba tendo poder, né, achando que tem poder e praticando, mesmo rasgando a Constituição. Tem ministro ali que se julga semideus e eu costumo dizer que o prédio do Supremo Tribunal Federal não é o Olimpo, longe disso, então são seres humanos que vão errar, como todos nós vamos errar sempre, errar de vez em quando e eles precisam sim de um freio, esse freio é o mandado de 8, 10 anos, 12, sei lá, entre 8 e 12 anos, eu vou entrar, mas daqui a 12 anos eu vou sair, agora ele entra e sabe, só vai a 75, então gera muitas coisas, eu acho que era interessante sim, mas isso vai oxigenar o Senado, as cabeças vão mudar, porque do jeito que está aí fica muito, muito difícil. Da boca, né? Na CCJ é relatório aprovado, mas não pautam. Como tudo no Senado e na Câmara é difícil pautar, mas aí a gente tá aí pra isso, pra lutar e pra seguir adiante. Eu acho que seria um aceno pra população brasileira, que tá tão desacreditada no parlamento, passasse nos olhares com os outros olhos. Olha lá, o Senado, exerceu o seu papel, né? Limitou e ele pode, pela Constituição, fazer uma lei limitando o mandato do ministro do Supremo”.


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Rede Onda Digital – Em relação à sua atuação em defesa da fiscalização de ONGs e da devolução de bens em caso de desvios de recursos públicos, o senhor levantou críticas contundentes à proposta orçamentária que, segundo sua fala, “autoriza” irregularidades. Quais mudanças concretas o senhor pretende levar adiante para garantir transparência e responsabilização nessa área?

Plínio Valério – “Pois é, a gente teve um trabalho tão bonito na CPI das ONGs, apuramos muita coisa irregular, o relatório do senador Márcio Bittar, feito com todas as mãos dos membros que fizeram isso, de estudo, inclusive mostra por que está acontecendo isso lá em Belém, do Pará, com os índios protestando e invadindo. Eles já não aguentam mais serem vítimas dessas ONGs, dessa narrativa, dessa agenda global. Eles querem ser protagonistas. E pior ainda, eles sabem que é arriscado muito dinheiro, dizendo que vão ajudá-los e não vão. É terra demarcada, e eles já cansaram de ter tanta terra sem poder plantar, vender, colher, minerar, eles não podem nada disso. Então eles se cansaram, eles se cansaram. E a gente notou na CPI que não tem transparência. O dinheiro sai, o dinheiro vem, aí o Banco Central não controla, o Banco do Brasil muito menos, a diplomacia brasileira não sabe de nada e fica assim ao Deus dará. E o Fundo Amazônia também, dá o dinheiro e não. Cobra não tem prestação de conta então a gente quis transparência apresentou o projeto aí vem o presidente da república no decreto lá dizer que as ONGs lembram que elas foram pegas em corrupção não são obrigadas a devolver quer dizer o fim da picada é uma exclamação geral mas a gente tá com esse projeto sim ele é de autoria da CPI e a gente tá transparência rastrear o dinheiro: “tá vindo de onde? tá vindo dali! ele vem pra quem pro fulano, mas ele passou por onde? por ali o fulano pegou, quanto ele pegou? ele usou esse dinheiro usou em que? Prova! é isso que a gente quer aí vai colocar o freio é um festival a gente tá falando de milhões. Seis milhões de ONGs investigadas apenas juntas arrecadaram até então um ano e meio dois anos atrás a CPI já tinha arrecadado mais de dois bilhões dois bilhões existem 2.300 milhões e a gente quer colocar é um freio nisso a gente quer dar transparência é que quer vir dinheiro de fora para ajudar que venha, mas tem que ter transparência agora esse dia. Que entra para incentivar as ONGs a trabalhar contra o Brasil. Esse é que é o problema. Dinheiro de governo de estrangeiros entrando no país para alimentar, para municiar essas ONGs, que tudo que faz é trabalhar contra o Brasil, isolando, principalmente, o objetivo final é isolar a Amazônia, porque eles já têm todo o conhecimento da Amazônia. A riqueza já roubaram, o conhecimento já roubaram, agora. Eles não querem que nós possamos usar o que Deus nos concedeu, guardar para as futuras gerações deles. Em síntese, é isso aí. E é contra isso que a gente vai continuando, vai continuando com esse projeto”.

Rede Onda Digital – Sobre o cenário partidário: o senhor foi indicado líder da bancada do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) no Senado. Como o senhor enxerga o papel do PSDB no Senado e no Amazonas neste momento, e qual a prioridade da bancada sob sua liderança para os próximos anos?

Plínio Valério – “O PSDB está tentando se reencontrar. A gente precisa se reencontrar. O PSDB não pode viver do passado, de ter sido o grande partido que revezava, que ia de ombro e lutando com o PT. Quer dizer, passou aquela época do Fernando Henrique, aquela época de Mário Covas, aquela época já passou. A gente hoje é um novo PSDB fraco, porque a sua bancada diminuiu em muito. Quando eu entrei no Senado, nós éramos oito. Aí, com o passar do tempo, no sexto ano, ficou só eu. Aí, depois, nós conseguimos, o meu amigo Styvenson Valentim, do Rio Grande do Norte, Oriovisto Guimarães, do Paraná, vieram pro PSDB, a gente voltou a ter uma bancada. Então, a nossa prioridade hoje é encontrar. A gente sabe que tem um espaço, que tem muita gente insatisfeita que não quer saber desse polo. É extrema que extrema lá. Encontrar essa mensagem que possa atingir esse pessoal que não quer mesmice que tá aí. No momento a gente tenta se reencontrar. A nível nacional a nossa política ela é conhecida, política do PSDB, a gente vai continuar tentando expô-la, falar dela. E em termos regionais eu peguei o partido, não é lá essas coisas, a gente pegou, consertou muito tempo pra gente, eu não tô fazendo nenhuma crítica aí o passado. A gente tentou partilhar, pagando os débitos, avançando aqui, avançando ali. O PSDB no Amazonas precisa realmente, precisa oxigenar, fortalecer. E a gente vai atrás agora, é muito difícil, né? Quando você não tem mais fundo partidário, quando você não tem mais bancada. O PSDB hoje é um vereador na câmara, nenhum deputado estadual, nenhum deputado, eu senador. Foi assim que eu peguei e assim que a gente ainda está. Vamos pra essas novas eleições, vamos aí tentar formar chapa estadual, de federal, eu serei candidato à reeleição, com a proteção de Deus e se o povo do Amazonas quiser, e provavelmente, provavelmente, nós não teremos candidato ao governo e é muito difícil apoiar algum candidato ao governo. A gente tem que se reencontrar e essa eleição é um bom momento”.

Rede Onda Digital – Olhando para o estado do Amazonas, quais são as principais bandeiras que o senhor acredita que ainda precisam de maior atenção no seu mandato até 2027, considerando infraestrutura, meio ambiente, desenvolvimento econômico, e políticas sociais?

Plínio Valério – “Olha, eu não tenho assim uma nova bandeira para a minha reeleição, eu tenho a continuação da bandeira que a gente pegou, eu não levantei a bandeira, eu já fui com essa bandeira, peguei do povo do Amazônia essa bandeira, a gente precisa de infraestrutura, você não pode desenvolver um estado sem ferrovias, sem estradas, né, a gente só tem os rios que são nossas estradas mas são longas e difíceis, a gente precisa da BR-319, é um mantra cantado por todos nós, mas precisa, a gente precisa essa luta e eu vejo cada vez mais perto a gente alcançar, né, com o desgaste agora da COP, com esse fracasso terrível, com essa hipocrisia colocada por inteiro, pode ser que a gente consiga alguma brecha aí, porque o Ibama está aparelhado, a Funai está aparelhado, o Ministério do Meio Ambiente aparelhado, parte do Judiciário aparelhado e fica muito difícil, então pode ser que mudando as cabeças a gente consiga mudar essa política importada. Essa política ambiental importada é um misto de Alemanha, com Noruega, escambau, que eles estão nos ditando que fazer a cópia é isso, eles vieram trazer as mesmas lições, num caderno novo, para que nós não toquemos em nada do que Deus nos concedeu, do que é nosso. Então, nós temos aí avanço. Eu fui autor da lei que deu turno no meu Banco Central, salvou o país da inflação. Isso é reconhecido lá fora e todos, quando me entrevistam, dizem isso. Eu tenho uma lei que coloca na garra transversal, eu tenho uma violência contra a mulher, é lei. Tem uma lei que agora o presidente vetou, a gente vai derrubar agora no Congresso, que isenta a EMBRAPA de taxas e tributos. A EMBRAPA é responsável por esse negócio. Acabamos de aprovar o Senado e já na Câmara a gente vai dar o toque final para ir para o presidente sancionar. A lei que obriga o SUS a rastrear câncer de mama em mulher de 40 anos, a parte de 49 anos. Tem lá também um projeto da gente para que os estádios reservem espaço próprio para os autistas. É um projeto que está andando. A gente tem cerca de 20 projetos que estão andando e a gente precisa da continuidade. Mas eu acho que, acima de tudo, a motivação, o que me leva com toda a firmeza, é a consciência de que eu represento o Amazonas lá. Eu luto pelo Amazonas e essa luta tem que continuar. Não tem nada de novo, é uma luta antiga, mas sempre atual. Posto que não nos dão o direito sequer de ir e vir. E claro, a Zona Franca quer dever de casa. Todos nós somos obrigados a definir a Zona Franca. O que me diferenciou um pouco dos outros é que eu acho que a gente tem que ter vergonha na cara. Começar a buscar matrizes econômicas que temos aí quase 50 anos pela frente ainda. Para quando ela acabar os 50, a gente nos é atrás de mais 50 anos. Então nós temos muito potencial, muita coisa. A gente precisa, acima de tudo, levar a voz do Amazonas. A gente precisa porquê do norte é discriminado sim pelo desconhecimento você sabe que a ignorância do desconhecimento ela gera desprezo né então a questão aí de pesquisar petróleo a gente a dificuldade que a gente tem e a gente tem muita dificuldade sim na náusea é a única capital no planeta com mais de 2 milhões de habitantes que não tem uma estrada que ligue ao resto do país então a gente é discriminado e tem que acabar com isso é só um grito porque a gente acabou né, eu pelo menos a minha prática eu não cheguei em Brasília de pires na mão eu não cheguei pedindo favor eu cheguei exigindo justiça é o direito que nós temos como cidadão e cidadã brasileiro eu acho que é necessário esse grito sim e é esse grito que eu quero continuar isso que eu vou me apresentar dessa forma, ó ‘tamo’ lá brigando pelo Amazonas tudo que nos diz respeito o que nos é de direito eu vou exigir é isso aí”.

Rede Onda Digital –  Finalmente, sobre as eleições de 2026: Qual a sua avaliação sobre o cenário que se forma para o pleito no Amazonas e no Brasil, quais são os principais desafios e oportunidades que o senhor identifica?

Plínio Valério – A oportunidade é de duas candidaturas, principalmente uma majoritária, porque a proporcional pesa muito a máquina, pesa muito a base do deputado já eleito, é diferente. Falando ainda em desafio e oportunidades, tem que ter, se a gente ficar esperando oportunidade surgir é muito difícil. Olha só, eu enfrentei, se você olhar o meu perfil é diferente dos outros senadores, estou dizendo que é melhor? Não, pelo amor de Deus! Estou dizendo que é diferente, então a gente tem que buscar essa oportunidade. Eu acho que com essa guerra entre os extremos, extrema direita, extrema esquerda, tudo é estranho, eu acho que tem muito espaço para que a gente mostre equilíbrio, propostas, mas como eu falo, é a de governo, é de governo, o PSDB não está pronto para apresentar um candidato ao governo ainda, tem eu como majoritário que serei candidato a reeleição por entender o meu papel em Brasília, a minha missão em Brasília, ela é muito importante, eu sirvo muito mais ao Amazonas em Brasília, do que se eu fosse governador, lá a luta é séria, lá não é para amador. Que vão falar muita besteira, vão prometer muita coisa, muita bobagem. Não é assim não. Mas a gente consegue. E agora, já com a experiência de oito anos, é melhor ainda. Então, as oportunidades a gente tem que buscar. Cavalo selado, passa não”.