Lula busca conversa com Trump: “vou dizer, não se meta no Brasil”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (14/8) que pretende conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pedir que o republicano não interfira nos assuntos internos nem nas eleições brasileiras.
A declaração foi dada durante entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”. Lula disse que tentará estabelecer um diálogo com Trump, mas ressaltou que não aceitará interferências estrangeiras no processo eleitoral do país.
“Estou tentando falar com o Trump. Quero conversar com o Trump, porque ele é o único americano com quem é possível conversar. E vou dizer: ‘Não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo na eleição’. E, se se meterem, vão perder”, declarou.
Segundo Lula, uma eventual manifestação dos Estados Unidos em favor de adversários políticos poderia provocar uma reação do eleitorado brasileiro e favorecer sua candidatura. O petista disputará a reeleição em outubro e tem como um dos principais adversários o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado político de Trump.
Relação com os Estados Unidos
A declaração ocorre em um momento de tensão diplomática entre os dois países. Lula criticou especialmente o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem acusou de manter uma postura hostil em relação ao Brasil e a outros países da América Latina.
O governo brasileiro também iniciou consultas para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos nacionais. As novas alíquotas atingem parte das exportações brasileiras e podem chegar a 37,5% em determinados segmentos.
Lula afirmou que a medida representa uma resposta à política comercial norte-americana e uma demonstração de que o Brasil exige respeito nas relações internacionais. Apesar disso, o governo brasileiro ainda prioriza uma solução diplomática para o impasse.
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Indicação de embaixador
Durante a entrevista, Lula também declarou que somente analisará depois das eleições a indicação de Daniel Perez para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O nome foi anunciado pelo governo Trump sem que o Brasil tivesse concedido previamente o chamado agrément, autorização diplomática necessária para a nomeação.
O presidente brasileiro questionou a urgência da indicação, lembrando que os Estados Unidos permaneceram aproximadamente um ano e meio sem um embaixador no país. O impasse aumentou depois que Washington revogou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
Mesmo diante das divergências, Lula afirmou que pretende manter aberto o canal de diálogo com Trump. Segundo ele, o Brasil não busca confronto com os Estados Unidos, mas defenderá sua soberania e seus interesses políticos e econômicos.
*Com informações do Poder360.





