Igreja Católica se mobiliza para eleições; evangélicos ainda não

Às vésperas das eleições de 2026, a Arquidiocese de Manaus lançou a cartilha Fé e Política, iniciativa que busca estimular o voto consciente e aproximar a participação política dos valores cristãos, como dignidade humana, justiça social, fraternidade e defesa do bem comum.
A movimentação ocorre em um momento de mudança no perfil religioso do Amazonas. Segundo o Censo 2022 do IBGE, os evangélicos cresceram 52% em relação a 2010 e já representam 39,3% da população do estado, enquanto os católicos, embora ainda sejam maioria, correspondem a 47,3% dos amazonenses.
As diferenças entre os dois grupos também aparecem nas pesquisas eleitorais. Levantamento Nexus divulgado nesta segunda-feira (15) mostra que, em um eventual segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que tenta herdar capital político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, do público evangélico, o presidente teria 53% dos votos entre os católicos, contra 40% do senador. Entre os evangélicos, o cenário se inverte: Flávio Bolsonaro aparece com 59%, enquanto Lula registra 34%.
Apesar da força eleitoral e do crescimento demográfico dos evangélicos, ainda não há em Manaus uma mobilização institucional semelhante à promovida pela Igreja Católica voltada à formação política dos fiéis. O contraste evidencia como a religião continuará sendo um dos fatores centrais da disputa eleitoral.
Mais do que influenciar escolhas partidárias, o desafio das igrejas é transformar sua presença social em espaços de reflexão e participação cidadã em uma sociedade cada vez mais polarizada.






