Dino cita possível elo entre PCC e empresas ligadas à produção de “Dark Horse”

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou um possível elo entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas ligadas à produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A citação ocorreu na decisão em que Dino autorizou uma operação da Polícia Federal (PF) sobre suposto desvio de emendas parlamentares.
A investigação apura se parte dos recursos provenientes de emendas foi desviada e depois usada para financiar a produção do longa-metragem.
Na decisão, Dino afirmou haver indícios de que as movimentações investigadas fariam parte de um mesmo sistema.
“Friso que há indícios de que se cuida de um só sistema delitivo, alimentado inclusive por emendas parlamentares federais, além da menção a atos interligados até com a facção criminosa PCC”, escreveu o ministro.

Investigação envolve Instituto Conhecer Brasil
Segundo a decisão, a suspeita surgiu a partir de movimentações envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), da empresária Karina Gama. A entidade teria firmado um subcontrato com uma empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos para prestar serviços ao projeto “Wifi Livre SP”, contratado pela Prefeitura de São Paulo, com valor total de R$ 12 milhões.
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Alex Leandro era sócio da Urban Connect Serviços e Tecnologia, antes chamada Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. Segundo o documento, ele foi o único sócio da empresa desde a fundação, em agosto de 2020, até transferir a propriedade para a companheira, Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, em 14 de janeiro deste ano.
Em fevereiro de 2025, a empresa teria solicitado à instituição financeira o aumento do limite diário para transferências via TED, de R$ 600 mil, sob justificativa de recebimento de recursos do contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil.
Transferências entraram na mira da PF
Ainda conforme a decisão, a Urban Connect recebeu duas transferências do Instituto Conhecer Brasil, uma de R$ 611.111, em 28 de fevereiro de 2025, e outra de R$ 666.666,67, em 16 de abril do mesmo ano.
Na sequência, a empresa pagou R$ 250 mil à Ultra IP Tecnologia. Segundo a investigação, essa companhia teria repassado os valores a diversas empresas e entidades ligadas ao núcleo investigado.
A decisão também menciona informações atribuídas a órgãos de inteligência policial, segundo as quais Alex Leandro seria um “membro relevante” do PCC. Ele estava preso desde fevereiro deste ano, sob acusação de feminicídio, e foi solto em agosto.
As suspeitas sobre o possível vínculo com a facção criminosa e os fluxos financeiros ainda são objeto de apuração da Polícia Federal. A decisão de Dino autorizou as medidas solicitadas pela corporação para aprofundar a investigação.





