Condenado por homicídio diz que levava propina para governador do Maranhão

O homem condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato de um empresário em São Luís, Gilbson Cutrim Junior, afirmou em depoimento à Polícia Federal que levava dinheiro de propina para o governador do Maranhão, Carlos Brandão. “Eu pegava dinheiro deles, dele para levar pro Carlos [Brandão], inclusive levei valores para dentro do palácio, entendeu?”, relatou à delegada da PF.
As declarações fazem parte das investigações que levaram o ministro Flávio Dino, do STF, a afastar o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Daniel Brandão, sobrinho do governador. O governador nega com veemência as acusações.
É a discussão sobre a divisão de dinheiro relacionado à corrupção que coloca Gilbson na cena do crime pelo qual foi condenado. O assassino disse ter sido chamado para uma “armadilha” por Daniel Brandão. Na versão de Gilbson à PF, a vítima do homicídio estava armada e era um pistoleiro conhecido em São Luís. Para não morrer, ele decidiu atirar antes.
“Eu atirei. Todos os tiros foi pela frente. Aí eu fugi e, nessa hora que eu saí desesperado, o Daniel me liga, ‘Cara, tu é doido e apaga tudo’, tal. Eu disse: ‘Rapaz, porra, tu me levou, tu me chamou pros caras me matar, Daniel [sic]'”, relatou.
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Governador e sobrinho negam acusações
Daniel Brandão nega todas as acusações. Em nota, afirmou: “Reafirmo, de forma serena e categórica, minha absoluta inocência e minha confiança de que a verdade dos fatos será devidamente esclarecida. Desde o início, sempre estive e continuo inteiramente à disposição das autoridades e do Poder Judiciário para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.
O governador Carlos Brandão divulgou um vídeo no fim de semana em que nega ser “chefe de organização criminosa” e questiona a tramitação do caso no Supremo. Seus advogados, em nota, dizem que há “manifesta inconsistência nas imputações”. A defesa também afirma que o STF usurpou a competência do Superior Tribunal de Justiça, foro adequado para julgar governadores.
Carlos Brandão, que foi vice de Flávio Dino quando este governou o Maranhão, hoje vive uma disputa ferrenha com o grupo que antes dava suporte político ao ministro. Aliados de Brandão reclamam de perseguição política e indicam que vão trabalhar para questionar a relatoria de Dino no caso.
A reportagem entrou em contato com o governo do Maranhão e aguarda retorno.





