Obesidade infantil: como o excesso de peso pode provocar danos graves aos vasos sanguíneos

(Foto: Reprodução/HSF)
A obesidade infantil já é um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. Pesquisas realizadas em capitais brasileiras têm apontado que crianças de 6 a 11 anos com excesso de peso já podem apresentar alterações discretas, porém relevantes, nos vasos sanguíneos, um sinal de alerta precoce para problemas cardiovasculares no futuro.
O ponto que mais preocupa especialistas é que essas mudanças surgem numa fase em que, geralmente, não há exposição aos fatores clássicos de risco, como tabagismo e álcool. Por isso, quando o excesso de peso aparece ainda na infância, o impacto tende a ser mais duradouro e com efeitos que podem acompanhar o indivíduo até a vida adulta.
Inflamação e dano ao endotélio: o que muda no organismo
Pesquisadores observam sinais de inflamação crônica de baixo grau em crianças com sobrepeso e obesidade. Nesse cenário, o organismo mantém níveis elevados de substâncias inflamatórias no sangue, mesmo sem infecção. Esse processo pode prejudicar o endotélio, camada que reveste internamente artérias e veias e que tem papel fundamental na regulação do fluxo sanguíneo, da pressão arterial e das respostas inflamatórias.
Quando o endotélio passa a funcionar mal cedo, aumenta o risco de, ao longo dos anos, ocorrerem problemas como aterosclerose, hipertensão, infarto e AVC.
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Sinais clínicos podem surgir ainda na infância
Além da inflamação, estudos indicam que crianças com excesso de peso podem apresentar alterações em avaliações clínicas, como pressão arterial mais alta, aumento de gordura abdominal e pior desempenho da microcirculação, responsável por nutrir tecidos e órgãos com oxigênio e nutrientes.
O alerta é que o risco cardiovascular não é apenas uma preocupação distante: ele começa a ser construído cedo. A boa notícia, segundo especialistas, é que mudanças no estilo de vida podem melhorar significativamente esses marcadores quando iniciadas ainda na infância.
Por que o excesso de peso aumenta o risco cardiovascular?
O acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal, favorece a produção de substâncias inflamatórias e pode alterar o funcionamento da insulina, levando à resistência insulínica e até ao diabetes tipo 2 em fases precoces da vida.





