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Açaí contaminado com fezes de barbeiro causa morte de jovem no Pará

O caso aconteceu na virada do ano, em Ananindeua (PA), e motivou uma série de ações de fiscalização
09/01/26 às 17:27h
Açaí contaminado com fezes de barbeiro causa morte de jovem no Pará

(Foto: Reprodução)

A morte de Ronald Maia da Silva, de 26 anos, vítima de doença de Chagas com suspeita de transmissão oral após consumo de açaí contaminado, segue repercutindo na Região Metropolitana de Belém. O caso aconteceu na virada do ano, em Ananindeua (PA).

Segundo a Prefeitura de Ananindeua, já foram registrados três casos confirmados em 2026, além de outros sete em investigação, que aguardam resultados laboratoriais. Na quinta-feira (08/01), equipes da Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Sanitária, realizaram vistorias em pontos de venda de açaí.

Durante as inspeções, foram avaliadas condições de higiene, processamento, manipulação e regularidade sanitária dos estabelecimentos. Como resultado imediato, um ponto de venda foi interditado e outros foram notificados por comercializarem o produto sem o selo sanitário “Açaí Bom que Só”, que atesta o cumprimento de protocolos de higienização, etapa apontada como essencial para reduzir riscos, pois elimina o protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença.

Demora no diagnóstico

Conforme o relato do caso, Ronald apresentou os primeiros sintomas, como febre, mal-estar e fraqueza, no início de dezembro. Ele buscou atendimento em uma UPA municipal e em unidades de saúde de Belém, mas permaneceu mais de 20 dias sem diagnóstico conclusivo, recebendo tratamento apenas para sintomas e sendo liberado em ocasiões anteriores.

Com a piora do quadro, ele foi internado no Pronto-Socorro da Augusto Montenegro em 27 de dezembro. Após sete dias de cuidados intensivos, morreu em 31 de dezembro. A certidão de óbito registra doença de Chagas como causa, com forte suspeita de transmissão por via oral, possivelmente associada a açaí contaminado por material do inseto conhecido como barbeiro.


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Autoridades reforçam caráter preventivo

A Prefeitura de Ananindeua informou que as interdições e notificações têm caráter preventivo, com objetivo de interromper possíveis cadeias de transmissão e reforçar o controle sanitário nos pontos de venda. A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) acompanha o caso e dá suporte técnico às ações de vigilância municipal.

Paralelamente, a Prefeitura de Belém anunciou a intensificação das medidas de prevenção na cadeia produtiva do açaí, ampliando projetos como o “Açaí no Ponto”, que mapeia pontos de processamento na capital.

As autoridades orientam consumidores a priorizarem estabelecimentos com regularização sanitária e a observarem condições de higiene, armazenamento e procedência do produto. No caso de sintomas persistentes como febre prolongada, fraqueza e mal-estar, a recomendação é procurar atendimento médico e informar possíveis exposições alimentares recentes para acelerar a investigação clínica.