Veja como funcionava esquema atribuído a Deolane para esconder dinheiro do PCC

Um documento apreendido na residência da influenciadora e advogada Deolane Bezerra descrevia um modelo organizado de movimentação financeira que teria como objetivo ocultar a origem de recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O material, chamado pela polícia como “cronograma estratégico e estruturação corporativa”, indicaria um planejamento com etapas, prazos e divisão de responsabilidades entre empresas.
De acordo com os investigadores, a estratégia funcionava como uma espécie de “engenharia empresarial”, baseada na criação e uso de múltiplas pessoas jurídicas para dificultar o rastreamento do dinheiro. Em vez de concentrar valores em uma única empresa ou conta, o suposto esquema operava com a pulverização dos recursos em diferentes atividades econômicas.
Veja como, segundo a polícia, a estratégia era estruturada;
1. Diversificação de empresas
O dinheiro seria movimentado por empresas de setores diferentes, como:
- holdings patrimoniais;
- agências de publicidade;
- empresas de cosméticos;
- estruturas de apoio administrativo e financeiro.
A função dessa diversificação, segundo os investigadores, seria misturar recursos lícitos e ilícitos, dificultando a identificação da origem dos valores.
2. Reorganização constante de estruturas
Outro ponto destacado pela polícia seria a mudança frequente de dados empresariais, como:
- alteração de endereços comerciais
- mudanças em sócios e administradores
- reestruturação societária
- criação de novas empresas com funções semelhantes
Essas alterações, de acordo com o relatório, ajudariam a “quebrar” o vínculo entre os investigados e os ativos financeiros.
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3. Conversão de dinheiro em patrimônio físico
Os investigadores também apontam que parte dos valores teria sido transformada em bens de alto valor, como:
- veículos de luxo
- joias e relógios
- moeda estrangeira e dinheiro em espécie
Esse tipo de conversão, segundo a polícia, seria uma forma de preservar o capital em ativos mais difíceis de rastrear.
O que o documento apreendido indicaria:
O material analisado pelos investigadores também traria um planejamento em etapas, com previsão de:
- reorganização empresarial imediata
- expansão comercial em curto prazo
- ajustes estruturais em empresas já existentes
- definição de funções entre pessoas jurídicas
Para a Polícia Civil, isso reforçaria a hipótese de que não se tratava de ações isoladas, mas de um modelo contínuo de operação financeira.
Os investigadores também chamam atenção para a empresa DB Santos Apoio Administrativo e Financeiro, ligada a Deolane. Segundo o relatório, ela teria passado por mudança recente de endereço, o que levantou suspeitas sobre a tentativa de distanciamento entre registros formais e atividades reais. Em consulta à Junta Comercial, a alteração teria sido registrada em abril de 2026.
Além disso, a polícia destaca que os bens apreendidos durante a operação incluem veículos de luxo, como SUVs importadas, além de dezenas de joias, relógios de alto padrão, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos. Para os investigadores, o conjunto desses ativos seria compatível com uma estratégia de ocultação patrimonial.
A defesa de Deolane nega qualquer envolvimento da influenciadora com atividades criminosas e afirma que ela não integra o esquema investigado. Os advogados também dizem que estão analisando os documentos do processo.





