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“Segura, é a tua vida!”: sobrevivente de naufrágio no Encontro das Águas relata quase morte

O naufrágio ocorreu no dia 13 de fevereiro e deixou três mortos confirmados e cinco desaparecidos
06/03/26 às 15:45h
“Segura, é a tua vida!”: sobrevivente de naufrágio no Encontro das Águas relata quase morte

Uanderson Campos, sobrevivente do naufrágio (Foto: Rede Onda Digital)

Uanderson Campos, um dos sobreviventes do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV no Encontro das Águas, em Manaus, relembrou os momentos de tensão extrema que viveu enquanto lutava para não morrer afogado. Em entrevista à Rede Onda Digital, nesta sexta-feira (6/3), ele contou como passou por debaixo da embarcação que tentava resgatá-lo e chegou a duvidar se ainda estava vivo.

“Eu boiei do outro lado do bote, uns 15, 20 metros de distância. Eu passei por baixo dele. Minha família tinha conseguido subir. Mas eu já estava desesperado porque eu tinha passado por baixo. Eu olhava e não tinha nem acreditado que eu estava vivo. Até teve um momento que eu bati no meu rosto: será que eu estou vivo mesmo?”, relatou.

Ele conta que conseguiu alcançar uma corda, mas já estava sem forças para subir. “Eu consegui alcançar uma corda e segurei com a pouca força que me restava. O cara começou a puxar, mas na hora de subir eu já não tinha mais força. Ele gritava: ‘Segura, rapaz, é a tua vida, porra!’ Não tinha de onde tirar força.”

Uanderson estima que ficou cerca de uma hora na água até ser resgatado. “Depois, fazendo os cálculos, a gente viu que foi quase uma hora que a gente ficou ali naufragado. Mas foi suficiente pra morrer algumas pessoas, pra esgotar as nossas forças.”

Quando finalmente conseguiu subir na embarcação de resgate, o corpo já não respondia mais. “Quando eu subi, desmaiei. Não que eu desmaiei, eu estava tão fraco, tinha bebido tanta água, que eu não consegui ficar em pé, só caí. Vomitei, vomitei muita água.”


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O reencontro com a família foi emocionante. “Não demorou cinco segundos, minha esposa apareceu desesperada, achando que eu tinha morrido. Meu filho já estava orando: ‘Cadê meu pai?’ Quando ela me viu, me abraçou.”

Ele descreveu a cena dentro da embarcação como algo comparável a um filme. “Ali a gente viu uma cena que me lembrou o Titanic: um monte de gente jogada, tudo molhado. Minha filha tinha adormecido, estava bem fraquinha, tinha pegado muita insolação.”

O naufrágio ocorreu no dia 13 de fevereiro e deixou três mortos confirmados e cinco desaparecidos. As buscas completam quatro semanas nesta sexta-feira (6).

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