As principais notícias de Manaus, Amazonas, Brasil e do mundo. Política, economia, esportes e muito mais, com credibilidade e atualização em tempo real.
Rede Onda Digital
Rede Onda Digital
Assista a TV 8.2

“Cavalona do pó”: amazonense é presa em operação contra esquema nacional de tráfico e lavagem de dinheiro com bets

Em pronunciamento publicado nas redes sociais, Mirian Viana pediu "perdão" aos seguidores
19/03/26 às 12:01h
“Cavalona do pó”: amazonense é presa em operação contra esquema nacional de tráfico e lavagem de dinheiro com bets

(Foto: Montagem)

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (19) a Operação Resina Oculta, que resultou na prisão de nove pessoas e no cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão em quatro estados: DF, Goiás, Maranhão e Amazonas. A investigação revelou um dos mais sofisticados esquemas de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro já identificados na capital federal, com ramificações em diversas regiões do país.

Entre os alvos da operação está a influenciadora digital amazonense Mirian Mônica da Silva Viana, conhecida no submundo do crime como “Cavalona do Pó”. Ela foi presa e é apontada pelas investigações como peça-chave na engrenagem criminosa, responsável por lavar dinheiro proveniente do tráfico de cocaína e haxixe por meio de uma loja de calçados que mantinha em Manaus.

Vida de ostentação nas redes

Com mais de 50 mil seguidores no Instagram, Mirian exibia nas redes sociais uma rotina de luxo e ostentação: viagens frequentes para destinos paradisíacos no Brasil e no exterior, hospedagens em resorts de alto padrão, fotos em lanchas e procedimentos estéticos de alto custo. As imagens reforçavam uma imagem de prosperidade empresarial.

(Foto: Reprodução / Redes Sociais)

Para os investigadores, o contraste entre o padrão de vida exibido e a renda formal declarada levanta fortes suspeitas de que o conteúdo nas redes sociais também funcionava como vitrine para legitimar valores de origem ilícita, criando uma aparência de legalidade enquanto recursos do tráfico circulavam por trás das publicações.

Empresa funcionava como lavanderia do tráfico

As investigações revelaram que a loja de calçados ligada à influenciadora recebeu, ao longo de 2025, valores provenientes de diversos traficantes do Distrito Federal, incluindo integrantes diretamente relacionados à apreensão de cerca de 50 quilos de haxixe que deu origem à operação. A movimentação reforça a suspeita de que o negócio era utilizado para dissimular recursos ilícitos.

Mirian já havia sido presa em 15 de dezembro de 2025, em Rio Verde (GO), durante abordagem da Polícia Rodoviária Federal na BR-060. Na ocasião, dois veículos viajavam em conjunto: um Hyundai Creta, onde ela estava, atuava como “batedor”, monitorando possíveis fiscalizações, enquanto um VW T-Cross, conduzido por outro investigado, transportava 29,7 kg de skunk escondidos nas portas e no porta-malas.

O motorista do veículo com a droga afirmou que havia recebido o entorpecente em Manaus e que faria a entrega em Brasília mediante pagamento. Todos os envolvidos se conheciam e eram da mesma cidade, indicando atuação coordenada.

Atualmente, a investigada cumpre prisão domiciliar, por decisão judicial, desde 13 de março de 2026. A Justiça também determinou o bloqueio de suas contas.


Leia mais

Operação cumpre mais de 100 mandados de prisão em 15 estados, incluindo o Amazonas

PF aponta que deputada recebeu propina de R$ 1,5 milhão e ajustava fraudes no INSS com sobrinha e secretária


Influenciadora se pronuncia

No último domingo (15), quatro dias antes da deflagração da Operação Resina Oculta, Mirian utilizou seu perfil no Instagram para se pronunciar sobre o período em que esteve presa. Em vídeo publicado para suas mais de 50 mil seguidoras, a influenciadora atribuiu sua prisão a um relacionamento abusivo e dependência emocional, pedindo compreensão.

“Eu quero deixar uma mensagem pra vocês que, se você vive hoje um relacionamento abusivo, se você vive hoje a dependência emocional, procure ajuda, procure a terapia, procure Deus. Porque antes eu dizia que isso era frescura, mas hoje eu vejo que não, que não é frescura, porque a dependência emocional, ela nos faz fazer coisas que a gente até duvida, e ela é real”, afirmou.

Durante os mais de dois minutos de vídeo, Mirian não mencionou as acusações de envolvimento com tráfico de drogas ou lavagem de dinheiro.

“Eu quero dizer pra vocês, se você vive isso hoje, procure ajuda. Eu sei que muitas aqui ficaram assustadas com o acontecimento, mas eu peço que vocês me perdoem, e que vocês relevem, porque quem nunca errou, que atirem a primeira pedra.”

Esquema milionário

A Operação Resina Oculta teve início em 9 de outubro de 2025, após a apreensão de 47,4 kg de haxixe e 877 g de skunk no Riacho Fundo (DF). A partir daí, a polícia descobriu uma rede estruturada que atuava como entreposto de drogas, abastecendo traficantes em todo o Distrito Federal e Entorno.

O grupo utilizava empresas de fachada em diversos estados, “laranjas” para ocultar patrimônio e plataformas ilegais de apostas, as chamadas “bets”, para movimentar e lavar dinheiro. Os valores eram pulverizados por diferentes regiões do país, especialmente no Norte, dificultando o rastreamento.

Entre os casos mais emblemáticos está o de um jovem de 19 anos, identificado como Yago César dos Santos Ferreira, morador da periferia de Goiânia, que trabalhava como frentista em um posto de combustíveis, mas figurava como proprietário de dez empresas utilizadas para movimentar grandes quantias em dinheiro vivo.

Yago, o frentista “milionário” (Foto: Divulgação)

A ação policial cumpriu 41 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão nos estados do DF, Goiás, Maranhão e Amazonas. No campo financeiro, 50 empresas tiveram contas bloqueadas, além de 12 pessoas físicas, com limite de até R$ 15 milhões por alvo. Sete veículos de luxo foram sequestrados.

A PCDF aponta que o esquema envolvia dezenas de pessoas e uma estrutura sofisticada de circulação de dinheiro do tráfico. A Operação Resina Oculta segue em andamento e novas fases não estão descartadas.

“Cavalona do pó”: amazonense é presa em operação contra esquema nacional de tráfico e lavagem de dinheiro com bets - Rede Onda Digital