As redes sociais da Revista Timeline, fundada pelo jornalista Luís Ernesto Lacombe, junto com o blogueiro Allan dos Santos e Max Cardoso, foram bloqueadas na última segunda-feira (27/1). A informação foi confirmada pelo próprio Lacombe em um editorial publicado no site da Timeline. Ele já foi apresentador na Rede Bandeirantes e também fez parte do núcleo de jornalismo da Rede Globo.
“Apenas três meses depois de sua criação, a Revista Timeline entrou na mira do Supremo Tribunal Federal. Ontem à noite, recebemos um aviso do X informando que a nossa conta na rede social tinha sido bloqueada”, informa a revista.

O Supremo Tribunal Federal informou que o processo que levou ao bloqueio das contas da revista tramita em sigilo. Até o fechamento desta reportagem, as contas no X, Instagram e YouTube da Timeline estão bloqueadas ao público. Apesar de as redes sociais estarem inacessíveis, o site da revista segue no ar.
Fundadores da Timeline envolvidos em polêmicas
Dos três fundadores, os nomes de Luís Ernesto Lacombe e Allan dos Santos são os mais conhecidos do grande público. O primeiro ficou conhecido por fazer parte da equipe do Bom Dia Brasil, da Rede Globo, onde apresentava as notícias do esporte. Lacombe também foi apresentador da Band, fazendo duras críticas à emissora após sua saída Ele é conhecido por ser conservador e defensor de pautas de direita.
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Em entrevistas posteriores, o jornalista fez afirmações graves contra a Rede Globo, dizendo que o núcleo de jornalismo tentava derrubar o governo do então presidente Jair Bolsonaro. Durante a pandemia, Lacombe se posicionou contra as medidas aplicadas pela Organização Mundial da Saúde e criticou o auxílio emergencial de Bolsonaro.
Na Band, Lacombe afirma que seu programa, Aqui na Band, que estreou em 2019, sofreu represálias da emissora devido ao seu posicionamento político. Embora seja declaradamente de direita, Lacombe diz que não é bolsonarista e tem muitas críticas ao governo do ex-presidente.
Allan dos Santos
Allan dos Santos foi o fundador do canal do YouTube Terça Livre. Junto com influenciadores como Nando Moura, Arthur do Val (Mamãe Falei), Lilo Vlog e Caio Coppolla, ajudou a fazer campanha para Jair Bolsonaro durante as eleições de 2018, que o elegeram presidente do Brasil. O youtuber e blogueiro se tornou muito próximo da família Bolsonaro durante o governo do direitista e utilizou sua influência nas redes para defender o governo entre 2019 e 2022.
Em 2019, Allan dos Santos foi citado no inquérito das Fake News, acusado de disseminar notícias fraudulentas. O blogueiro defendia com frequência medidas como o fechamento do Congresso e a reedição do AI-5, ato inconstitucional mais severo implementado durante o regime militar.
Durante as investigações, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, relator do inquérito das Fake News, ordenou um mandado de prisão contra Allan dos Santos, que fugiu para os EUA. Atualmente, o blogueiro consta na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Ele está proibido de ter perfis nas redes sociais, e o Terça Livre encontra-se fora do ar.