A jovem Juliana Rangel, de 26 anos, atingida com um tiro na cabeça por agentes da Polícia Rodoviária Federal, no dia 24 de dezembro de 2024, falou pela primeira vez desde que foi internada. A vítima, que deu entrada no Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN) em estado gravíssimo, deixou o CTI no último dia 25, se movimentando sozinha e falando. A agente de saúde passou por uma cirurgia para tratar dos danos causados pela bala, e apesar do estado crítico, teve um excelente pós-operatório.
Em entrevista exibida ao programa Fantástico, da Rede Globo, Juliana conta que lembra do dia em que foi baleada, e afirmou que foi atingida na tentativa de salvar o seu irmão mais novo.
“Aconteceu muito rápido. Eu tomei um tiro tentando salvar meu irmão”, conta a jovem, que já consegue falar, embora ainda tenha dificuldade devido a uma traqueostomia que precisou realizar. “Eu mandei o meu irmão abaixar porque ele já é deficiente visual. Eu vendo que ele estava agachado, eu tomei um tiro”.
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Juliana também afirma que lembra que foi baleada por um agente da PRF. Ela conta que se recorda da mãe falar que estavam sob um tiroteio. A jovem não teria acreditado na mãe e se virou para ver, momento em que sentiu que foi baleada.
O neurologista responsável pela tomografia de Juliana conta que a recuperação positiva da jovem se deu pelo fato da bala não atingir nenhum ponto sensível do cérebro, nem ficar alojada. Mas ele afirma que a jovem teve sorte, uma vez que, por poucos centímetros, a bala não acertou parte da estrutura cerebral responsável pela respiração ou dos batimentos cardíacos.
A jovem segue em tratamento com fisioterapeuta e fonoaudiólogo. Juliana deve ir para casa nos próximos dias. Segundo os médicos, ela deve retomar a sua vida normal, sem restrições, após o tratamento.
Relembre o caso
Juliana Rangel foi atingida com um tiro na cabeça durante uma abordagem dos agentes da Polícia Rodoviária Federal. Eles passavam pela rodovia Washington Luís, na altura de Caxias, na Baixada Fluminense, momento em que foram seguidos pela viatura.
Juliana viajava com os pais, o irmão e a cunhada. Sem aviso, os agentes da PRF abriram fogo contra o veículo da família. Juliana, que estava no banco de trás, foi atingida com uma bala.