As principais notícias de Manaus, Amazonas, Brasil e do mundo. Política, economia, esportes e muito mais, com credibilidade e atualização em tempo real.
Rede Onda Digital
Rede Onda Digital
Assista a TV 8.2

“Nem tudo que é tradicional é seguro”: pediatra alerta sobre crenças populares que colocam bebês em risco

Especialista explica por que moeda no umbigo, leite no olho e pintinho na boca podem fazer mais mal do que bem aos bebês
18/03/26 às 12:04h
“Nem tudo que é tradicional é seguro”: pediatra alerta sobre crenças populares que colocam bebês em risco

(Fotos: Reprodução / TikTok)

Moeda no umbigo para evitar hérnia, leite materno no olho para tratar conjuntivite, pintinho na boca para estimular a fala. Essas são algumas das práticas passadas de geração em geração que, apesar da boa intenção, podem representar sérios riscos à saúde dos bebês.

Em entrevista à Rede Onda Digital, a infectologista pediátrica Dra. Ana Luísa Pacheco faz um alerta:

“Tradição por si só não é sinônimo de segurança. O principal problema é que muitas dessas práticas não têm evidência científica, podem atrasar o diagnóstico de doenças importantes e, pior, algumas causam danos diretos ao bebê.”

A médica ressalta que os recém-nascidos não são “mini adultos”.

“Eles têm sistema imune imaturo, pele mais sensível, maior risco de desidratação e infecção. Aquilo que parece inofensivo pode ter um impacto bem maior”, explica.

Dra. Ana Luísa Pacheco, infectologista pediátrica da clínica PEDmoleque (Foto: Arquivo pessoal)

Moeda no umbigo: risco de infecção sem nenhum benefício

A crença de que colocar moeda ou faixa no umbigo do bebê evita que ele “cresça para fora” é uma das mais difundidas. Segundo a pediatra, a prática é ineficaz e perigosa.

“Não funciona. Zero efeito. E pode trazer riscos como irritação da pele, dermatite e infecção local. A pressão externa não altera a anatomia interna do umbigo”, afirma.

A hérnia umbilical é uma condição comum em recém-nascidos, causada pelo fechamento incompleto do anel umbilical.

“Isso é super comum, especialmente em prematuros e bebês com baixo peso. A maioria fecha espontaneamente até 2 a 5 anos de idade”, esclarece a médica.

Os sinais de alerta que exigem avaliação médica incluem dor no local, endurecimento que não reduz, mudança de cor (arroxeado ou vermelho) e vômitos associados.


Leia mais

Quando substituir barbeador, lençóis e outros itens de higiene? Veja o guia completo

Afinal, cerveja zero álcool tem álcool? Entenda o que realmente existe nas versões


Leite materno no olho: mito que pode agravar infecções

Outra crença comum é pingar leite materno no olho do bebê para tratar conjuntivite. Apesar de o leite humano conter anticorpos importantes para o sistema imunológico quando ingerido, sua aplicação nos olhos não é recomendada.

“Esse é um mito bem difundido. Não é recomendado. Apesar do leite materno ter fatores imunológicos, quando colocado no olho pode servir como meio de cultura para bactérias, pode piorar a infecção e atrasa o tratamento correto”, alerta Dra. Ana Luísa.

A orientação correta para conjuntivite, segundo a pediatra, é higiene com soro fisiológico e avaliação médica. “Em recém-nascidos, conjuntivite pode ser coisa séria, inclusive infecções perinatais.”

(Foto: Reprodução / Freepik)

Pintinho para estimular fala: risco de zoonoses

A crença de que colocar um pintinho próximo à boca da criança estimula o desenvolvimento da fala não tem qualquer fundamento científico. “Não tem absolutamente nenhuma base científica. E pior: pode ser perigoso”, afirma a infectologista.

As aves podem transmitir salmonela e outras bactérias intestinais, e o bebê, que naturalmente leva as mãos à boca e tem imunidade imatura, fica exposto a risco real de infecção gastrointestinal grave.

O desenvolvimento da fala ocorre naturalmente com a interação familiar, leitura de histórias e estímulos adequados, e não com práticas que expõem a criança a agentes infecciosos.

Casos reais

Dra. Ana Luísa relata que já atendeu casos graves motivados por essas crenças.

“Já vi infecção ocular piorada por leite materno, dermatite infeccionada por moeda no umbigo e atraso no diagnóstico porque tentaram resolver em casa.” Ela destaca que o ponto mais delicado é o tempo perdido. “Às vezes o problema não é o mito em si, mas o tempo perdido. O custo do erro é alto.”

“Se eu pudesse dar uma orientação simples, seria: nem tudo que é tradicional é seguro. Hoje a gente tem acesso fácil à informação confiável. Na dúvida, procure um pediatra, evite testar soluções caseiras e confie mais em ciência do que em ‘funcionou com alguém'”, conclui a médica.

 

“Nem tudo que é tradicional é seguro”: pediatra alerta sobre crenças populares que colocam bebês em risco - Rede Onda Digital