Meningite: vacina e atendimento rápido previnem casos graves

O Brasil registrou redução de 18,2% nos casos confirmados de meningite entre 2023 e 2025. Ainda assim, foram contabilizados 8.623 casos em 2026, segundo o Painel Epidemiológico de Meningite, divulgado em 5 de outubro.
Na Região Norte, foram 641 casos. O Amazonas somou 112, o segundo maior total da região, atrás do Pará, com 431.
A meningite é a inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e parasitas e, em alguns casos, por fatores não infecciosos, como traumas, doenças inflamatórias e reações a medicamentos. A causa influencia a gravidade, o tratamento e a prevenção.
Crianças, especialmente as menores de cinco anos, estão entre os grupos mais atingidos. Idosos e pessoas imunocomprometidas também podem ter maior risco de complicações.
“A causa muda tudo. A meningite bacteriana é uma emergência médica, com risco de morte e de sequelas, enquanto a viral costuma ter evolução mais branda”, afirma o infectologista Marcelo Cordeiro.

Tipos e transmissão
A meningite viral é frequente e, na maioria dos casos, tem evolução mais leve. Mesmo assim, os sintomas precisam ser avaliados por uma equipe de saúde, pois é necessário diferenciá-la de formas bacterianas e definir o acompanhamento adequado. O Ministério da Saúde ressalta que casos suspeitos devem ser avaliados e tratados com urgência.
Entre as bactérias que podem causar a doença estão o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo b (Hib). A doença meningocócica pode ser transmitida por secreções respiratórias em contato próximo, como no convívio domiciliar. Quem teve contato próximo com um caso suspeito ou confirmado pode receber indicação de quimioprofilaxia, antibiótico preventivo, após avaliação da vigilância e da equipe de saúde.
O pneumococo pode estar presente no nariz e na garganta de pessoas sem sintomas. A bactéria também pode ser transmitida, mas a meningite pneumocócica não tem o mesmo padrão de transmissão da doença meningocócica e, em geral, não leva à indicação de quimioprofilaxia para contatos. A infecção pode ocorrer quando o pneumococo alcança a corrente sanguínea ou as meninges, às vezes associada a quadros como otite, sinusite ou pneumonia.
O Hib é transmitido principalmente por gotículas respiratórias e pode causar doença grave, sobretudo em crianças pequenas sem vacinação. A meningite tuberculosa é causada pela bactéria da tuberculose. As formas fúngicas e parasitárias são menos frequentes e têm outras vias de transmissão; as fúngicas afetam mais pessoas imunocomprometidas.

Vacinação
A vacinação protege contra algumas das principais causas bacterianas da doença, mas não contra todos os tipos de meningite. No SUS, o calendário inclui imunizantes contra meningococo dos sorogrupos C e ACWY, pneumococo e Hib, este último na vacina pentavalente, além da BCG, que protege contra formas graves da tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa. A indicação depende da idade, do histórico vacinal e, em alguns casos, de condições de saúde.
A vacina meningocócica B está disponível na rede privada. No primeiro semestre de 2025, o sorogrupo B foi o mais frequente entre os casos de doença meningocócica com sorogrupo identificado no Brasil: 146 dos 267 casos.
“A imunização mudou a história das meningites bacterianas. Manter as vacinas em dia é uma das medidas mais eficazes para prevenir formas graves da doença”, diz Cordeiro.
Sintomas e diagnóstico
Febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz estão entre os sintomas mais comuns. Em bebês e crianças pequenas, podem surgir irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar e moleira estufada. Confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele são sinais de gravidade e exigem atendimento imediato.
A avaliação clínica é complementada por exames laboratoriais, como análise do líquor, líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, e exames de sangue. A equipe médica define quais testes são necessários, e o tratamento não deve ser atrasado à espera da identificação do agente causador.
“Não dá para esperar. Diante desses sintomas, a pessoa deve procurar atendimento imediatamente, porque o tratamento precoce reduz o risco de sequelas e de morte”, alerta o infectologista.





