Estudo francês associa alguns conservantes alimentares a aumento do risco de câncer

(Foto: depositphotos.com / serezniy
Um estudo francês publicado no British Medical Journal (BMJ) em janeiro de 2026 sugere que o consumo frequente de alimentos industrializados, como pães, embutidos e produtos prontos com conservantes, pode estar ligado a um aumento pequeno, mas mensurável, no risco de desenvolvimento de certos tipos de câncer.
A pesquisa acompanhou mais de 100 mil pessoas na França ao longo de 10 anos, analisando detalhadamente a relação entre aditivos alimentares e incidência de câncer. Segundo os autores, o estudo não estabelece relação de causa e efeito, ou seja, consumir conservantes não significa, por si só, que a pessoa desenvolverá câncer. No entanto, os dados apontam a necessidade de atenção ao uso prolongado desses aditivos.
Metodologia e participantes
O estudo utilizou informações de 105.260 voluntários, com idade média de 42 anos, participantes da pesquisa NutriNet-Santé, que reúne dados sobre hábitos alimentares e saúde. Durante o acompanhamento, os participantes preencheram fichas alimentares detalhadas, permitindo aos pesquisadores identificar tanto os alimentos consumidos quanto os tipos e quantidades de conservantes presentes.
Ao longo do período, foram registrados 4.226 casos de câncer, incluindo os tipos de mama, próstata e colorretal.
Conservantes específicos e risco associado
Embora a análise geral não tenha identificado associação significativa entre todos os conservantes e o câncer, alguns aditivos específicos se destacaram:
Sorbato de potássio: aumento de 14% no risco geral de câncer e 26% no risco de câncer de mama.
Nitrito de sódio: associado a 32% mais risco de câncer de próstata.
Sulfitos totais: aumento de 12% no risco geral.
Nitrato de potássio: relacionado tanto ao câncer em geral quanto ao de mama.
Eritorbatos (antioxidantes): também apresentaram associação com maior incidência de câncer.
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Segundo os autores, alguns desses conservantes podem afetar a função imunológica e aumentar processos inflamatórios, fatores que, teoricamente, poderiam favorecer o desenvolvimento do câncer. Ainda assim, ressaltam que são necessários novos estudos para confirmar os mecanismos envolvidos.
Importância das descobertas
Os pesquisadores reforçam que, por se tratar de um estudo observacional, não é possível afirmar que os conservantes causam câncer diretamente. Outros fatores, como estilo de vida, padrão alimentar e características individuais, podem ter influenciado os resultados.
Os achados, porém, destacam a importância de reavaliar os critérios de segurança dos aditivos alimentares atualmente permitidos e reforçam a necessidade de rótulos mais claros, para que o consumidor saiba exatamente o que está consumindo. Para os especialistas, a melhor forma de reduzir riscos continua sendo uma alimentação baseada em produtos naturais e refeições preparadas em casa.
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