Mioma pode evoluir para um câncer? Especialista explica

(Foto: Reprodução / Agência Brasil)
O diagnóstico de um mioma uterino costuma vir acompanhado de uma pergunta que assombra muitas pacientes: isso pode virar câncer? A resposta, segundo a ginecologista Dra. Elis Akami, é tranquilizadora para a grande maioria das mulheres.
“Extremamente raro, pois um mioma é um tumor benigno. A chance de virar um câncer é menor que 1%. Ele não vira câncer e não se espalha para outros órgãos nem para outras partes do corpo”, explica a médica.
Miomas são tumores benignos que se desenvolvem na camada muscular do útero. Muitas vezes, nem dão sintomas e são descobertos apenas em exames de rotina. Quando manifestam sinais, as pacientes podem relatar sangramentos, dores ou urgência para urinar, tudo relacionado ao aumento do volume do mioma e à compressão de órgãos vizinhos.
A confusão com o câncer
Se os miomas dificilmente se transformam em câncer, por que tanta gente, e até alguns médicos, confundem as coisas? A explicação está na existência de um tumor maligno raro que se desenvolve no mesmo tecido muscular do útero.
“Existe um tipo de câncer que se desenvolve nas células musculares do útero, que é o leiomiossarcoma. Ele cresce de forma rápida. Os sarcomas uterinos são tumores malignos da camada muscular, mas não surgem a partir de miomas”, esclarece a Dra. Elis.
Em linguagem simples: o mioma já nasce benigno e assim permanece. O sarcoma, por sua vez, já surge maligno. Um não se transforma no outro.

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Sinais de alerta
Embora a transformação maligna seja raríssima, existem alguns sinais que devem acender um alerta. A especialista lista os principais:
Crescimento rápido do tumor (miomas costumam crescer devagar);
Sangramento vaginal anormal, especialmente após a menopausa;
Dor pélvica persistente;
Aumento rápido do volume abdominal;
Massa palpável na região do abdome;
Perda de peso inexplicável e falta de apetite (hiporexia).
Como é feito o diagnóstico?
A suspeita de um sarcoma geralmente começa na avaliação clínica. Para confirmar ou descartar a malignidade, o médico pode solicitar exames de imagem.
“Geralmente a suspeita é clínica e pode-se fazer, além do ultrassom, ressonância magnética ou tomografia computadorizada da pelve”, explica a Dra. Elis.
O ultrassom é o exame mais comum para identificar miomas, mas, diante de sinais atípicos, exames mais detalhados ajudam a diferenciar um mioma benigno de um sarcoma.
A mensagem final da especialista é de tranquilidade, mas sem descuidar do acompanhamento. A maioria das mulheres com miomas vive bem, sem sintomas graves ou necessidade de intervenção. No entanto, consultas regulares ao ginecologista e exames periódicos são fundamentais para monitorar o crescimento e a evolução dos tumores.




