Mês do Orgulho LGBT: Exposição em Manaus celebra a arte e a luta da comunidade por visibilidade

Em um estado onde as iniciativas voltadas ao Mês do Orgulho LGBTQIA+ ainda são pouco frequentes, a exposição Queerzônia II – É Luta Viu! reúne 35 artistas de diferentes partes do Brasil em Manaus para celebrar a diversidade e promover reflexões sobre os desafios enfrentados pela comunidade.
A mostra, organizada pelo diretor do Museu de Arte Moderna do Amazonas (Mama), Marcelo Rufi, integra as celebrações em torno do Dia do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em 28 de junho. A exposição teve início no Hall do Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, onde permanece até o dia 26, e depois seguirá em formato itinerante.
Segundo Rufi, a iniciativa surgiu da necessidade de criar um espaço dedicado ao mês da diversidade no Amazonas.
“A Queerzônia nasce da necessidade de se comemorar e de se falar sobre o Mês do Orgulho, que aqui no Amazonas é quase nada comemorado. Em junho, a comunidade da cultura foca mais nos eventos bovinos, e muitos membros da comunidade LGBT+ trabalham neles. Sentimos que havia essa necessidade de uma exposição celebrando esse mês com arte, ativismo e reivindicações”, afirma.
A mostra reúne obras de 35 artistas e presta homenagem a Ana Cláudia Jatahy, Cristóvão Coutinho, Oscar Ramos (in memoriam) e Sebastião Alves. A curadoria é assinada por Átila Simonsen, Juliana Bleides, Marcelo Rufi e Rodrigo Melo.

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Como surgiu o Dia do Orgulho LGBTQIA+

Celebrado em 28 de junho, o Dia do Orgulho LGBTQIA+ faz referência à Revolta de Stonewall, ocorrida em 1969, em Nova York. Na ocasião, uma operação policial no bar Stonewall Inn, ponto de encontro da comunidade gay, desencadeou uma série de protestos que durou quatro dias e se tornou um marco da luta pelos direitos da população LGBTQIA+.
No Brasil, pesquisadores identificam mobilizações anteriores ou contemporâneas ao episódio norte-americano. O pesquisador Luiz Morando, que estuda a memória LGBTI+, destaca tentativas de organização de encontros nacionais de homossexuais e travestis entre 1959 e 1972 em cidades como Belo Horizonte, Niterói, Petrópolis, João Pessoa, Caruaru e Fortaleza.
Outro marco ocorreu em 13 de julho de 1980, quando entidades do movimento LGBT+, além de integrantes dos movimentos negro, feminista e de prostitutas, se reuniram em frente ao Teatro Municipal de São Paulo para denunciar a violência policial praticada contra homossexuais na capital paulista.
O Brasil também foi pioneiro em uma conquista importante. Em 1985, o Conselho Federal de Medicina (CFM) retirou o termo “homossexualismo” da lista de transtornos e desvios psicológicos, cinco anos antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) fazer o mesmo em nível global.
Violência ainda é uma realidade
Apesar dos avanços conquistados ao longo das últimas décadas, a violência contra pessoas LGBTQIA+ segue sendo um desafio no país. Segundo o relatório anual do Grupo Gay da Bahia, o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas da comunidade em 2025, o equivalente a um assassinato a cada 34 horas. A entidade ressalta que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação.
Para Marcelo Rufi, o combate à LGBTfobia é uma das principais reivindicações do movimento atualmente. Segundo ele, a busca por maior visibilidade para artistas e para a comunidade em geral também é uma pauta permanente.
Rufi afirma ainda que os episódios de violência não são uma realidade distante do Amazonas e que essas discussões estão presentes nas obras da Queerzônia II.
“O Brasil é o país que mais mata LGBTs e aqui no Amazonas não é diferente. Já tivemos casos gravíssimos. Ano passado, um adolescente perdeu a vida só por parecer LGBT. Essas questões também são abordadas aqui nas obras de Queerzônia”, destaca.

Com arte, memória e ativismo, a exposição busca reforçar que o Dia do Orgulho LGBTQIA+ vai além da celebração. A data representa também um momento de lembrar conquistas históricas e chamar atenção para desafios que ainda persistem.





