Mês do Orgulho LGBT: Exposição celebra a arte e a luta da comunidade por visibilidade

Em 28 de junho é celebrado mundialmente o Dia do Orgulho LGBTQIA+: a data é uma referência à chamada “revolta de Stonewall”, ocorrida em Nova York, nos EUA, em 1969. Na ocasião, a polícia da cidade fez uma violenta batida no bar Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village, um ponto de encontro da comunidade gay da cidade. Os policiais prenderam pessoas trans, drag queens e drag kings presentes no local. Os atos truculentos da polícia desencadearam uma onda de protestos na cidade que durou quatro dias e causou destruição e dezenas de feridos.
Esse momento é considerado hoje um marco histórico, também influenciado pelo contexto da época: os protestes de maio de 1968 na França, os movimentos contraculturais que ganhavam visibilidade, e a luta pelos direitos civis nos EUA fizeram com que a comunidade LGBTQIA+ se mobilizasse contra a violência e a repressão.
Mas e no Brasil? Por aqui, pesquisadores já registram mobilizações anteriores ou contemporâneas a Stonewall. Luiz Morando, pesquisador de Belo Horizonte sobre a memória LGBTI+, destaca as tentativas de organização de encontros nacionais de homossexuais e travestis entre 1959 e 1972. As principais ocorreram em Belo Horizonte, Niterói, Petrópolis, João Pessoa, Caruaru e Fortaleza.
Outro marco foi em 13 de julho de 1980: “Ficou conhecido como Dia de Prazer e Luta Homossexual, uma manifestação contra a violência policial. Esse episódio aconteceu em São Paulo, no Teatro Municipal, e reuniu várias entidades do movimento LGBT+ e outros movimentos, como o negro, feminista e de prostitutas. Eles denunciavam a violência do delegado José Wilson Richetti, que fazia operações policiais de repressão no centro da cidade. Por noite, em um fim de semana, entre 300 e 500 pessoas chegavam a ser presas arbitrariamente”, segundo o professor Renan Quinalha, professor de Direito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Grupo Memória e Verdade LGBTQIA+, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
Inclusive, no Brasil, a homossexualidade deixou de ser reconhecida como doença antes mesmo do resto do mundo: Em 1985, o Conselho Federal de Medicina (CFM) retirou o termo “homossexualismo” da lista de transtornos e desvios psicológicos. Essa decisão pioneira ocorreu anos antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) tomar a mesma atitude em nível global, o que viria apenas em 1990.
Foi na década de 1990 que as primeiras marchas pelos direitos LGBTQIA+ começaram a ocorrer, e foram aos poucos se espalhando pelo mundo.

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Brasil e Amazonas
Infelizmente, o mesmo país que foi pioneiro no tratamento da homossexualidade hoje é o que mais mata pessoas LGBTQIA+ em todo o mundo: Segundo dados do relatório anual do Grupo Gay da Bahia, em 2025 o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas da comunidade LGBT+, o que dá um assassinato a cada 34 horas. O número representa uma redução de apenas 11,7% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 291 mortes violentas.
O levantamento é realizado há mais de 45 anos, de forma independente e voluntária, e toma como base as notícias veiculadas na mídia, redes sociais, blogs e correspondências enviadas ao grupo baiano. E a organização ainda afirma que os números não refletem a realidade total, pois a subnotificação de casos ainda é muito grande.
No Amazonas, a Onda Digital conversou com Marcelo Rufi, diretor do Mama (Museu de Arte Moderna do Amazonas) e organizador da exposição Queerzônia II que reúne obras de artistas de praticamente todo o Brasil. Ele falou sobre a mostra e as lutas da comunidade LGBT+.

Marcelo disse:
“A Queerzônia nasce da necessidade de se comemorar e de se falar sobre o mês do orgulho, que aqui no Amazonas é quase nada comemorado. Em junho, a comunidade da cultura foca mais nos eventos bovinos, e muitos membros da comunidade LGBT+ trabalham neles. Sentimos que havia essa necessidade de uma exposição celebrando esse mês com arte, ativismo e reivindicações”.
Ele continuou:
“Nesse mês, penso que a maior reivindicação deve ser mesmo o combate à LGBTfobia, que mata, e também a luta por visibilidade para artistas e a comunidade em geral”.
Marcelo ainda afirmou:
“O Brasil é o país que mais mata LGBTs e aqui no Amazonas não é diferente. Já tivemos casos gravíssimos, ano passado um adolescente perdeu a vida só por parecer LGBT. Essas questões também são abordados aqui nas obras de Queerzônia”.

A exposição “Queerzônia 2 – É Luta Viu!” será itinerante e iniciou sua programação no Hall do Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, onde permanece até o dia 26. A exposição reúne 35 artistas expositores e presta homenagem a nomes como Ana Cláudia Jatahy, Cristóvão Coutinho, Oscar Ramos (in memoriam) e Sebastião Alves. A curadoria do projeto é composta por Átila Simonsen, Juliana Bleides, Marcelo Rufi e Rodrigo Melo.





