Câncer que vitimou Lua Blanco pode começar sem sintomas; conheça os sinais de alerta

O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, pode se desenvolver silenciosamente e não apresentar sintomas nos estágios iniciais. A ausência de sinais evidentes dificulta a identificação da doença e reforça a importância da prevenção, da atenção às mudanças no funcionamento intestinal e do diagnóstico precoce.
O tema ganhou destaque após a morte da atriz e cantora Lua Blanco, conhecida por interpretar Roberta Messi na novela Rebelde. A artista morreu aos 39 anos, no último domingo (18/10), em decorrência de complicações de um câncer de intestino diagnosticado cerca de dois meses antes.
Além de atingir pessoas mais velhas, a doença também preocupa pelo aumento dos casos entre adultos com menos de 50 anos. Estudos internacionais apontam crescimento dos diagnósticos em diferentes países, levantando questionamentos sobre a influência dos hábitos de vida, da obesidade e de outros fatores de risco.
Câncer de intestino avança entre pessoas mais jovens
Dados do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF, na sigla em inglês) mostram que a taxa de diagnóstico de câncer colorretal entre pessoas com menos de 50 anos dobrou na Inglaterra em pouco mais de duas décadas.
Em 2001, aproximadamente uma em cada 26 mil pessoas dessa faixa etária recebeu o diagnóstico. Em 2023, a proporção passou para cerca de uma em cada 12 mil.
O crescimento também foi identificado em outras regiões. Um estudo publicado em 2025, que analisou registros de câncer de 50 países e territórios até 2017, constatou aumento dos casos de câncer colorretal de início precoce em 27 dessas localidades.
Na América Latina, a elevação foi observada no Chile, na Argentina, no Equador, na Costa Rica e em Porto Rico. O Chile registrou um dos aumentos mais expressivos, próximo de 4% ao ano.
Embora parte do crescimento possa estar relacionada à ampliação dos diagnósticos e à maior conscientização sobre a doença, pesquisas também identificaram aumento de casos em estágios avançados, o que sugere que a elevação da incidência é um fator importante de preocupação.
Brasil deve registrar 53,8 mil novos casos por ano
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 53.810 novos casos de câncer de intestino por ano no triênio de 2026 a 2028. Desse total, 26.270 devem ocorrer entre homens e 27.540 entre mulheres.
A estimativa representa um aumento de aproximadamente 18% em relação ao número projetado para o período de 2023 a 2025.
O câncer colorretal abrange os tumores que se desenvolvem no cólon e no reto, partes do intestino grosso responsáveis por funções importantes no processo digestivo, como a absorção de água e a formação das fezes.
Em muitos casos, a doença começa a partir de pólipos, lesões que se formam na parede interna do intestino. Embora nem todos evoluam para câncer, alguns podem sofrer alterações ao longo do tempo.
A colonoscopia permite identificar e retirar essas lesões, contribuindo para a prevenção da doença.
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Quais são os sinais de alerta?
Nos estágios iniciais, o câncer de intestino pode não provocar sintomas. Quando os sinais aparecem, é importante observar alterações persistentes e procurar avaliação médica.
Entre os principais sintomas estão:
- Sangue nas fezes: pode aparecer com coloração vermelha ou deixar as fezes mais escuras.
- Mudanças no hábito intestinal: episódios persistentes de diarreia ou prisão de ventre.
- Alteração no formato das fezes: fezes mais finas ou diferentes do padrão habitual.
- Dor ou desconforto abdominal: cólicas frequentes, dores persistentes ou sensação de inchaço.
- Sensação de evacuação incompleta: impressão de que o intestino não foi totalmente esvaziado.
- Perda de peso sem explicação: emagrecimento involuntário que não está relacionado a mudanças na alimentação ou na rotina.
- Cansaço e fraqueza: podem estar associados à anemia provocada por sangramentos no intestino.
Esses sintomas não indicam necessariamente câncer e podem estar relacionados a outras condições de saúde. No entanto, quando persistem, se repetem ou aparecem sem causa aparente, precisam ser investigados por um profissional de saúde.
A ausência de sintomas também não descarta a doença, o que torna importante a avaliação dos fatores de risco e a realização de exames quando houver indicação médica.
Obesidade e alimentação podem aumentar o risco
Entre os fatores associados ao desenvolvimento do câncer colorretal estão o sedentarismo, o excesso de peso, a alimentação inadequada, o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas.
Segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está relacionada ao aumento do risco de pelo menos 13 tipos de câncer.
Uma revisão de estudos publicada em 2021 identificou que adultos jovens com obesidade apresentavam quase o dobro da probabilidade de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos, em comparação com pessoas sem essa condição.
A alimentação também merece atenção. Carnes processadas, como salsicha, presunto, bacon, mortadela, linguiça e salame, são classificadas como cancerígenas. O consumo excessivo de carne vermelha também está associado ao aumento do risco.
Por outro lado, uma alimentação rica em fibras, com frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas, contribui para reduzir o risco da doença. A prática regular de atividade física e a manutenção de um peso saudável também são medidas importantes.
O histórico familiar de câncer de intestino é outro fator que merece atenção. Pessoas que tiveram a doença ou possuem familiares diagnosticados podem apresentar risco maior e precisam conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de acompanhamento específico.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento
A investigação do câncer de intestino pode envolver avaliação clínica, exames laboratoriais e procedimentos como a colonoscopia. A confirmação do diagnóstico é feita por meio de biópsia, que permite analisar uma amostra do tecido suspeito.
A colonoscopia também pode identificar e remover pólipos antes que algumas dessas lesões evoluam para tumores malignos.
O tratamento depende do estágio da doença, da localização do tumor e das condições clínicas do paciente. Entre as possibilidades estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia, utilizadas conforme a necessidade de cada caso.
Quando o tumor é identificado em fases iniciais, as possibilidades de tratamento e cura tendem a ser maiores. Se a doença se espalha para outros órgãos, como fígado e pulmões, o tratamento pode se tornar mais complexo.
Por isso, diante de sintomas persistentes, a orientação é procurar atendimento médico. Pessoas com histórico familiar ou outros fatores de risco também devem conversar com um profissional sobre o acompanhamento adequado.
A principal orientação é não ignorar mudanças no funcionamento do intestino. A prevenção, a investigação dos sinais de alerta e o diagnóstico precoce são fundamentais para ampliar as possibilidades de tratamento do câncer colorretal.





