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Relembre as antigas marchinhas de carnaval e sua importância cultural no Brasil

As marchinhas surgiram no fim do século 19 e se tornaram um dos principais símbolos do Carnaval brasileiro
31/01/26 às 13:00h
Relembre as antigas marchinhas de carnaval e sua importância cultural no Brasil

(Foto: Pixbay)

Antes dos hits do carnaval da atualidade, em sua grande maioria feito e popularizado pelos artistas do axé, música típica da Bahia. As marchinhas de carnaval eram a trilha sonora dessa festa que é tão importante para o povo brasileiro.

A canção marca não apenas o nascimento de um gênero musical que se tornaria símbolo do Carnaval brasileiro, mas também representa um momento de expansão do rádio e da indústria cultural.

As marchinhas surgiram no fim do século 19 e se tornaram um dos principais símbolos do Carnaval brasileiro. Com letras simples, bem-humoradas e fáceis de cantar, elas ajudam a traduzir o espírito popular da festa, unindo crítica leve, irreverência e alegria coletiva.

As canções costumam abordar personagens e situações comuns, como amores não correspondidos, foliões boêmios e cenas do dia a dia. Essa proximidade com o público fez das marchinhas uma expressão musical que atravessa gerações e continua presente em blocos, bailes e festas de rua.

Confira agora algumas das principais marchinhas de carnaval da época

Ó Abre Alas

Composta por Chiquinha Gonzaga em 1899, é considerada a primeira marchinha de Carnaval. A música se tornou um marco histórico do gênero e segue sendo um dos maiores símbolos da abertura oficial da folia no Brasil. A música surge em um contexto em que o Carnaval ainda era fortemente influenciado por bailes fechados da elite. Ao ser criada para um cordão carnavalesco, “Ó Abre Alas” rompe com esse modelo e se conecta diretamente com a ocupação das ruas pelo povo, antecipando o espírito democrático que passaria a caracterizar a festa.

As Pastorinhas

Um clássico que ultrapassou o período carnavalesco. A canção apresenta uma melodia sofisticada e uma letra romântica, exaltando a beleza da vida simples e o encanto do amor. Criada em um período de consolidação do rádio como principal meio de comunicação de massa, a marchinha ajudou a popularizar o Carnaval como espetáculo nacional, alcançando públicos além das ruas. A parceria entre Noel Rosa e Braguinha, dois dos maiores nomes da música brasileira, contribuiu para dar sofisticação lírica sem perder o apelo popular.

Mamãe Eu Quero

A marchinha “Mamãe Eu Quero”, composta por Jararaca e Vicente Paiva em 1937, é uma das canções mais populares e duradouras do Carnaval brasileiro. A música ultrapassou fronteiras e ganhou projeção internacional ao ser interpretada por Carmen Miranda, contribuindo para a difusão da imagem do Carnaval brasileiro no exterior.

Allah-la-ô

A marchinha “Allah-la-ô”, composta por Haroldo Lobo e Nássara em 1940, é uma das obras mais emblemáticas do Carnaval brasileiro por seu caráter lúdico, bem-humorado e fantasioso. “Allah-la-ô” alcançou grande popularidade e se tornou presença constante nos carnavais das décadas seguintes. A música reflete um tempo em que o Carnaval também era espaço de experimentação estética, misturando referências internacionais, humor popular e musicalidade acessível.

Cidade Maravilhosa

A marchinha “Cidade Maravilhosa” foi composta por André Filho, em 1934, e se consolidou como um dos maiores símbolos musicais do Carnaval brasileiro e da própria identidade do Rio de Janeiro. Mais do que uma canção festiva, a obra funciona como um hino afetivo da cidade, exaltando suas paisagens, seu espírito e sua centralidade cultural no imaginário nacional.

“Cidade Maravilhosa” também pode ser interpretada como uma forma precoce de promoção cultural e turística do Rio de Janeiro.

Cachaça

A marchinha “Cachaça”, composta por Marinósio Trigueiros Filho em 1953, é um dos exemplos mais marcantes do humor irreverente do Carnaval brasileiro. A canção se apoia na figura da bebida popular como elemento central da narrativa, transformando-a em símbolo de exagero, escape e brincadeira.

A Pipa do Vovô

A marchinha “A Pipa do Vovô”, composta por João de Barro (Braguinha) e Alberto Ribeiro em 1944, é um exemplo clássico do uso da ambiguidade e do duplo sentido no Carnaval brasileiro. A canção se insere na tradição das marchinhas que exploram o humor. Esse tipo de ambiguidade é uma marca recorrente das marchinhas da década de 1940, que precisavam contornar os limites impostos pela censura e pelos costumes da época, recorrendo ao subentendido como estratégia humorística.