“Dark Horse”: Análise do trailer revela tom do filme e conspiração contra Bolsonaro

Na semana passada, a divulgação do trailer de “Dark Horse”, produção norte-americana falada em inglês e estrelada pelo ator Jim Caviezel como Jair Bolsonaro, causou discussão nas redes. Informações que já foram divulgadas sobre o filme, bem como uma versão do roteiro que vazou, já permitem ao público ter uma boa ideia do que esperar da produção.
Veja o vídeo:
Vamos analisar o trailer de “Dark Horse”.
Início
O trailer tem 2 minutos e 28 segundos e percebe-se que a produção, como tinha sido anunciado, vai mesmo se concentrar na campanha presidencial de 2018, que levou Bolsonaro a ser eleito. O retrato do protagonista será o de um homem contra o sistema, enfrentando interesses poderosos.
No início do trailer, Bolsonaro se apresenta: diz ser “marido e pai”, e que concorre à presidência. O ator Jim Caviezel, cujo papel mais famoso foi o de Jesus no sucesso “A Paixão de Cristo” (2004), aparece com destaque.
Logo no início do trailer, uma repórter aborda o então candidato, pedindo declarações sobre uma possível volta da ditadura militar em seu governo. “Eles dizem que você vai restaurar a ditadura”, diz a jornalista. Bolsonaro responde, de forma enérgica, “Quem são eles? Você?”. Esse momento já deixa clara a abordagem “um homem contra todos” que dará a tônica do vídeo, e provavelmente do filme finalizado.
Alternando imagens em preto-e-branco e a cores, o trailer mostra Bolsonaro falando com a imprensa e numa reconstituição de debate presidencial na TV. Caviezel repete o famoso gesto de “arminha” apontando os dedos, característico do ex-presidente.

A conspiração
Aparecem então uns conspiradores contra Bolsonaro, provavelmente chefiados pelo personagem do ator Esai Morales, que tem longa carreira em Hollywood: participou de “La Bamba” (1987), da série “Ozark” da Netflix, e dos dois últimos filmes da franquia “Missão: Impossível” no papel do vilão.
Os conspiradores são vistos orientando um suposto atacante a usar não uma pistola contra Bolsonaro, mas sim uma faca: Esse personagem será o análogo no filme a Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada contra Bolsonaro em 6 de setembro de 2018. Ele é rebatizado no filme como Adélio Barba.
Na vida real, Adélio foi preso pelo atentado ao então candidato à presidência. Ele foi considerado inimputável por sofrer de transtorno psiquiátrico. A Polícia Federal concluiu investigações a respeito do ataque e concluiu que Adélio agiu sozinho, num atentado cometido por “lobo solitário”. Ele segue preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul.
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“Ele enfrentou o sistema”
Enquanto as imagens do trailer prosseguem, vemos frases dramáticas para ressaltar a trajetória de Jair Bolsonaro. O trailer mostra cenas de multidão em torno dele, e o impacto dele na campanha.
Em cenas rápidas, vemos trechos do ataque a Bolsonaro, com o momento da facada representando o clímax do vídeo.
Depois, vemos cenas de Bolsonaro no hospital e um momento com Michelle Bolsonaro, interpretada no filme pela atriz norte-americana Camille Guaty. E mais momentos com os conspiracionistas, insinuando que eles vão querer “terminar o serviço”, ou seja, fazer um novo ataque para matar Bolsonaro.
O vídeo ainda promove a figura de Caviezel como chamariz para o público, evocando o recente sucesso do ator ao estrelar o suspense “Som da Liberdade” (2023).
Veredito
Ao se assistir ao trailer, percebe-se que o tom do filme será de suspense e, como já anunciado, Bolsonaro será retratado no filme como uma figura heroica capaz de enfrentar os obstáculos, mesmo um atentado à sua vida.
Também se nota que o filme tomará liberdades com a história real, inserindo na narrativa uma espécie de “vilão”, um antagonista que Bolsonaro enfrentará, representando o sistema ao qual ele se opõe. Segundo o roteiro vazado da produção, esse vilão seria o personagem de Morales, batizado de “Paulo Pontes” no texto, com apelido de “Cicatriz”. Pelo tom do trailer, percebe-se que há aproximação entre a versão filmada e o roteiro vazado.
“Dark Horse” não se pretende um documentário, então como obra de ficção pode tomar essas liberdades com fatos reais a fim de construir uma narrativa mais envolvente e dramática com base nos eventos. Cabe a cada espectador constatar o que é fato e o que é ficção, ainda mais em se tratando de uma obra que aborda eventos tão recentes.
Nas suas redes sociais, Jim Caviezel divulgou que o filme estrearia em 11 de setembro deste ano no mercado americano. Até o momento, o filme ainda não tem data de estreia confirmada no Brasil. Além disso, segundo relato da produtora brasileira Karina Ferreira da Gama, que trabalhou no filme, a produção estaria em fase de pós-produção e finalização.





