Acesso restrito: conheça cinco locais no mundo onde você jamais poderia entrar

(Foto: reprodução)
O mundo possui diversos locais desconhecidos que costumam despertar a curiosidade dos mais aventureiros. Alguns desses locais são bastantes conhecidos, como a usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, ou a famosa Área 51, nos Estados Unidos, ambos locais muito discutidos e desejados pelo imaginário popular.
Porém, existem outros locais ao redor do mundo que guardam histórias interessantes, mistérios, e principalmente, são inacessíveis para o grande público, muito por conta de sua preservação histórica ou mesmo pelo perigo que seria visitar alguns desses locais. Neste artigo, listamos cinco locais ao redor do mundo que você não poderia visitar, e alguns, sequer seria aconselhável ir.
Fort Knox

O cofre de ouro de Fort Knox, nos Estados Unidos, é cercado por mistério e curiosidade há décadas. Oficialmente, o local abriga cerca de 147,3 milhões de onças de ouro, avaliadas contabilmente em US$ 6,22 bilhões com base em um preço fixado em 1973. No valor de mercado atual, porém, essas reservas ultrapassariam US$ 270 bilhões. O ouro está majoritariamente em barras de cerca de 27 libras, além de moedas, e deixou de servir como lastro do dólar desde 1971. Mesmo assim, segundo autoridades, o metal continua guardado “por precaução”.
O segredo em torno do cofre alimenta teorias da conspiração, incluindo rumores de que o ouro teria sido vendido e substituído por barras de tungstênio. Auditorias completas são raras, e visitas de civis quase inexistem. Uma das poucas exceções ocorreu em 2017, quando o então secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, entrou no cofre ao lado do senador Mitch McConnell e divulgou fotos segurando barras de ouro. Antes disso, a última abertura significativa ao público havia ocorrido em 1974, em uma tentativa oficial de acabar com boatos sobre o desaparecimento das reservas.
Além do ouro, Fort Knox já funcionou como refúgio para alguns dos itens mais valiosos da história. Durante a Segunda Guerra Mundial, o local guardou a Magna Carta, documentos fundadores dos EUA, como a Constituição e a Declaração da Independência, a Coroa Sagrada da Hungria e até um grande estoque de ópio, posteriormente refinado em morfina durante a Guerra Fria. Tudo isso protegido por uma estrutura quase impenetrável, construída na década de 1930, com porta de 20 toneladas, telhado à prova de bombas e segurança reforçada por uma base militar ativa. Um conjunto de fatos que ajuda a explicar por que Fort Knox segue como um dos lugares mais enigmáticos do planeta.
Ilha Sentinela do Norte

A Ilha Sentinela do Norte, no arquipélago indiano de Andaman e Nicobar, abriga uma das tribos mais enigmáticas do planeta. Pouco ou quase nada se sabe sobre os sentineleses: não há registros sobre a língua que falam, nem sobre o número exato de habitantes, estimado entre 50 e 150 pessoas. Isolados a mais de mil quilômetros da Índia continental, eles formam um dos últimos povos do mundo que rejeitam qualquer tipo de contato com a sociedade moderna.
O mistério voltou ao centro das atenções após a morte do turista americano John Chau, atingido por flechas ao tentar entrar na ilha. O episódio reacendeu o debate sobre a proibição de visitas ao local, imposta pelo governo indiano principalmente para proteger a tribo de doenças externas. Sem imunidade a vírus comuns, uma simples infecção poderia ser fatal para todo o grupo. A última vez que os sentineleses ganharam visibilidade internacional havia sido após o tsunami de 2004, quando autoridades tentaram verificar se haviam sobrevivido ao desastre, e foram recebidas de forma hostil.

Considerados pelo próprio governo da Índia como um dos povos mais ameaçados da Terra, os sentineleses têm origem ligada a uma migração humana saída da África há cerca de 60 mil anos. Vivendo como caçadores-coletores em uma área restrita de floresta, eles se destacam pelo uso de arcos e flechas tanto para caça quanto para defesa. A hostilidade a estrangeiros não é novidade: em 1974, uma equipe da National Geographic teve um de seus membros ferido por uma flecha. Desde então, a resistência absoluta ao contato externo mantém a tribo envolta em mistério e reforça seu status de uma das comunidades mais isoladas do mundo.
Ilha das Cobras

A Ilha da Queimada Grande, conhecida popularmente como Ilha das Cobras, está localizada a cerca de 35 quilômetros do litoral de São Paulo e chama atenção por um dado impressionante: é a segunda maior concentração de cobras do mundo. São cerca de 45 serpentes por hectare, quase todas da mesma espécie, a jararaca-ilhoa, que existe exclusivamente nesse território. A raridade biológica transformou a ilha em um dos locais mais curiosos e temidos do Brasil.
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Descoberta em 1532 pela expedição de Martim Afonso de Souza, a ilha recebeu esse nome após ter sido incendiada, prática comum na época para afastar o azar. O grande destaque científico do local é o veneno da jararaca-ilhoa, considerado extremamente potente. Em humanos, uma picada pode causar falência múltipla de órgãos em duas horas. Curiosamente, a toxina é ainda mais letal para aves, principais presas da espécie, e tem aplicação medicinal, sendo utilizada no desenvolvimento de remédios contra hipertensão.

A fama de lugar perigoso atravessou fronteiras: em 2010, o site Listverse apontou a Ilha das Cobras como o local mais perigoso do planeta, à frente até de áreas como Chernobyl. O acesso é restrito, sem praias, água potável ou moradores, sendo permitido apenas à Marinha e a pesquisadores autorizados. Apesar disso, a ilha sofre com a ação de caçadores ilegais que capturam cobras para o comércio clandestino, colocando a jararaca-ilhoa em risco de extinção.
Os Arquivos do Vaticano

Cercada por mitos e teorias da conspiração, a Biblioteca Apostólica Vaticana costuma ser vista como um espaço fechado e inalcançável. Na prática, porém, o acesso não é totalmente proibido. Desde o século XIX, o Vaticano permite que pesquisadores de fora da Igreja consultem documentos históricos guardados no local, desde que cumpram critérios rigorosos. A mudança começou em 1883, quando o papa Leão XIII autorizou, de forma inédita, a entrada de estudiosos leigos e estrangeiros nos arquivos, abrindo o acervo ao mundo acadêmico.
Mesmo com essa abertura, o acesso segue altamente controlado. Apenas pesquisadores qualificados, com vínculo comprovado a universidades ou centros de pesquisa e projetos bem definidos, podem entrar. As consultas são feitas exclusivamente dentro da biblioteca, sob supervisão, sem retirada de materiais e com restrições severas ao uso de câmeras. Boa parte das obras precisa ser solicitada com antecedência e manuseada com extremo cuidado, o que reforça o caráter quase ritual da experiência.
O esforço de preservação protege um dos acervos mais impressionantes do planeta: são mais de 180 mil manuscritos, cerca de 1,6 milhão de livros impressos e milhares de mapas, moedas, medalhas e gravuras. Entre os itens mais curiosos e valiosos estão o Codex Vaticanus, uma das mais antigas Bíblias em grego, além de cartas assinadas por figuras como Michelangelo e Lucrécia Bórgia. Muitos desses documentos têm mais de mil anos e são considerados peças únicas da história da humanidade.
Cofre do Apocalipse

Localizado em um arquipélago isolado no Ártico, o Svalbard Global Seed Vault ficou conhecido mundialmente como o “Cofre do Apocalipse”. Financiado pelo governo da Noruega, pela organização internacional Cop Trust e pela Fundação Bill & Melinda Gates, o projeto foi criado para preservar parte essencial da herança da humanidade diante de cenários extremos, como guerras nucleares, colapsos climáticos ou pandemias globais. Considerado um dos locais mais seguros do planeta, o cofre funciona como uma espécie de seguro para o futuro da civilização.
Inaugurado em 2008, o complexo abriga mais de um milhão de sementes de plantas de todo o mundo, protegendo espécies ameaçadas e garantindo a segurança alimentar global. Além disso, guarda informações históricas e culturais de instituições como os Arquivos Nacionais do México e do Brasil, a Biblioteca do Vaticano, o Museu Nacional da Noruega e a Agência Espacial Europeia. A importância do projeto ficou evidente em 2015, quando ajudou a reconstruir o banco genético de Aleppo, na Síria, destruído pela guerra civil.
O cofre também passou a preservar a memória digital da humanidade. Recentemente, recebeu mais de 21 terabytes de dados do GitHub, que arquivou seus repositórios de códigos-fonte no chamado Arctic Code Vault. As informações estão gravadas em rolos de um filme digital especial, projetado para resistir por séculos, e acompanhadas de um material legível por humanos que explica como a tecnologia funciona. A ideia é que, mesmo em um futuro pós-apocalíptico, eventuais sobreviventes consigam compreender e até recriar o conhecimento tecnológico armazenado ali.






