Lula defende filho, critica Lava Jato e confronta Globo durante sabatina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, protagonizou momentos de tensão ao ser questionado sobre corrupção, as investigações envolvendo o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e os processos da Operação Lava Jato durante sabatina promovida pela TV Globo nesta quinta-feira (27/8).
A entrevista, conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, foi exibida ao vivo depois do Jornal Nacional. Lula contestou a abordagem de algumas perguntas, defendeu que as investigações prossigam sem interferência do governo e voltou a criticar a atuação do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol.
Ao ser confrontado sobre suspeitas de corrupção que atingem pessoas próximas, Lula criticou a formulação de uma pergunta feita por Renata Vasconcellos. O petista afirmou que a abordagem reunia episódios distintos e lançava suspeitas sobre seu governo antes da conclusão das investigações.
“Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar a sua pergunta falando diferente, Renata”, disse. Em seguida, Lula sugeriu como, na avaliação dele, a pergunta deveria ter sido feita: “Você pode me dizer, Renata, o senhor foi o único presidente na história do Brasil que fez superavit primário durante oito anos do seu governo.”
O presidente também declarou que não pretende impedir apurações nem proteger aliados ou familiares. Segundo Lula, qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades deverá responder perante a Justiça.
Investigações envolvendo Lulinha
Um dos principais temas da entrevista foi a situação de Fábio Luís Lula da Silva. Lulinha é investigado pela Polícia Federal em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negócios relacionados ao governo federal. Ele nega ter cometido irregularidades.
Lula classificou as suspeitas apresentadas até agora como “ilações” e criticou o vazamento de informações dos inquéritos. Apesar de defender o filho, declarou que a Polícia Federal tem autonomia para conduzir as investigações e afirmou que não haverá interferência do Palácio do Planalto.
“Se ele tiver culpa, ele que pague. O que eu não aceito são ilações”, declarou o presidente durante a entrevista.
Lula também comentou o caso de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, seu ex-chefe de gabinete. O presidente afirmou que o ex-assessor errou caso tenha permitido que despesas pessoais fossem pagas pela lobista Roberta Luchsinger, investigada pela PF.
Segundo o petista, Marcola terá de assumir as consequências de eventuais irregularidades. Lula ainda empregou um termo ofensivo ao se referir à lobista e disse não conhecer a relação dela com seu filho.
Lula critica Lava Jato e cobertura da imprensa
Outro momento de tensão ocorreu quando Lula voltou a falar sobre os processos da Operação Lava Jato que resultaram em sua prisão, em 2018. O presidente afirmou que a imprensa brasileira ajudou a transformar Sergio Moro e Deltan Dallagnol em figuras de projeção nacional.
“A mídia brasileira produziu dois monstros chamados Moro e Dallagnol”, disse.
Lula sustentou que as acusações contra ele foram usadas para retirá-lo da eleição presidencial de 2018 e voltou a criticar a apresentação em PowerPoint feita por Dallagnol, em 2016. O petista também responsabilizou a Lava Jato por prejuízos à Petrobras, às empresas de engenharia e ao mercado de trabalho.
Renata Vasconcellos rebateu as críticas e defendeu a cobertura jornalística da Globo. César Tralli afirmou que a emissora já havia se retratado por um episódio de 2026 relacionado a uma apresentação gráfica sobre o caso Banco Master.
As condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021 porque a 13ª Vara Federal de Curitiba foi considerada incompetente para julgar os processos. No caso do tríplex do Guarujá, o STF também reconheceu a parcialidade de Moro. As decisões restabeleceram os direitos políticos de Lula, mas não corresponderam a um julgamento de mérito que o declarasse inocente de todas as acusações.
A entrevista integrou a série da Globo com os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto. As sabatinas são realizadas ao vivo, depois do Jornal Nacional, e têm duração aproximada de 40 minutos.





