BTG/Nexus: 1 em cada 5 eleitores quer fugir de Lula e Flávio, mas não tem para onde ir

A pesquisa BTG/Nexus identifica uma parcela de eleitores que prefere um candidato não vinculado nem a Lula (PT) nem a Jair Bolsonaro (PL), mas que não consegue se organizar em torno de um nome único no primeiro turno.
Questionados sobre quem deveria ser eleito, considerando apenas essa preferência política e sem citar candidatos específicos, 39% dos entrevistados dizem que deveria ser o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 36% apontam Flávio Bolsonaro ou outro nome indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ou por sua família. Um grupo de 20% afirma preferir um candidato que não fosse apoiado por nenhum dos dois lados.
Preferência por alternativa dobra desde março
A série histórica da pesquisa mostra que essa preferência por um nome fora do eixo Lula–Bolsonaro vinha crescendo ao longo da campanha. Em 30 de março, ela era de 11%. Em junho, já superava os 20% e chegou a bater 27% em 13 de julho, o maior patamar da série. Na medição mais recente, de 24 de agosto, está em 20%.
Desde meados de junho, esse grupo se manteve estável acima de 20% do eleitorado na maior parte das rodadas, um contingente maior que o somatório de todos os candidatos à direita e à esquerda de Lula e Flávio Bolsonaro juntos no cenário estimulado de primeiro turno.
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Sem candidato forte, apoio se dilui em nomes de baixa expressão
O problema para esse contingente aparece quando a pesquisa cruza essa preferência com o voto declarado no cenário estimulado de primeiro turno, em que os entrevistados escolhem entre os candidatos já postos.
Entre os 20% que dizem preferir uma alternativa a Lula e a Flávio Bolsonaro, a maioria não migra para nenhum dos dois: 51% declaram voto em outros nomes, de menor expressão nas pesquisas. Apenas 19% desse grupo acabam votando em Lula e 15% em Flávio Bolsonaro. Outros 11% votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, e 5% não souberam ou não responderam.
O resultado é que a rejeição a ambos os polos não converte em força eleitoral organizada. A preferência por uma terceira via segue relativamente estável e relevante ao longo de toda a campanha, mas, sem um nome capaz de concentrar esse apoio, ela se fragmenta entre candidaturas de baixa densidade eleitoral no momento em que o voto é efetivamente declarado.







