Dívida pública: entenda quem empresta dinheiro aos governos e quem paga a conta

A dívida pública é o dinheiro que um governo deve a quem financiou suas despesas. Ela pode aumentar quando a arrecadação não é suficiente para cobrir os gastos ou quando o governo precisa de recursos para cumprir compromissos financeiros.
Os governos arrecadam dinheiro principalmente por meio de impostos e contribuições. Quando precisam de recursos adicionais, podem emitir títulos públicos, que funcionam como empréstimos: investidores entregam dinheiro ao governo e recebem o valor de volta, com juros, conforme as condições estabelecidas.
A dívida pública não é apenas a dívida do governo federal. Dependendo do indicador utilizado, ela também inclui compromissos financeiros de estados e municípios. No Brasil, por exemplo, os governos estaduais podem contrair empréstimos e emitir obrigações, e esses valores entram no cálculo da dívida bruta do governo geral.
De quem o governo pega dinheiro emprestado?
Entre os principais credores estão bancos, fundos de investimento, fundos de previdência, seguradoras, investidores estrangeiros e pessoas físicas. Portanto, a dívida pública não é formada apenas por empréstimos de outros países ou de organismos internacionais.
Quem paga essa dívida?
O governo paga os compromissos com recursos públicos, provenientes de impostos, contribuições e outras receitas. Quando um título vence, pode quitar o valor com dinheiro disponível ou emitir novos títulos para pagar a dívida anterior. Essa operação é chamada de refinanciamento.
Os pagamentos incluem os juros, que remuneram os credores, e o valor principal, correspondente ao dinheiro emprestado. Como os títulos têm diferentes prazos, o governo não precisa quitar toda a dívida de uma só vez.
Como a dívida afeta a população?
Quanto maior o gasto com juros, maior pode ser a parcela do orçamento destinada aos encargos financeiros, reduzindo a margem disponível para outras despesas e investimentos públicos.
A situação fiscal também pode influenciar os juros cobrados na economia, o custo dos empréstimos e as decisões de investimento.
No Brasil, a dívida bruta do governo geral chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Central. O indicador inclui as obrigações dos governos federal, estaduais e municipais.
O PIB representa o valor dos bens e serviços produzidos no país. Comparar a dívida com o PIB ajuda a avaliar o tamanho dos compromissos em relação à economia.
Leia mais
Governo federal sanciona lei que perdoa dívidas de MEIs; veja como funciona o benefício
R$ 244 milhões: União paga dívidas de estados e municípios
Ter uma dívida elevada significa que um país está quebrado?
Não. O valor total da dívida, sozinho, não determina a situação financeira de um país. Também é necessário avaliar o tamanho da economia, os juros, os prazos de pagamento e a capacidade do governo de arrecadar recursos.
Os Estados Unidos lideram em valor absoluto, enquanto o Japão apresenta uma dívida muito elevada em relação ao tamanho de sua economia. Por isso, os rankings mudam conforme o critério utilizado.
A dívida pública pode ajudar um governo a financiar suas atividades e administrar seus compromissos. O risco aumenta quando os custos crescem persistentemente e o país enfrenta dificuldades para pagar ou refinanciar o que deve.
Quais países têm as maiores dívidas públicas?
Projeções para 2026 baseadas em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam os seguintes países entre os maiores devedores em valores absolutos. Entre eles, Estados Unidos, com cerca de US$ 41,4 trilhões; China, com cerca de US$ 22,5 trilhões; Japão, com US$ 8,7 trilhões; Reino Unido, com aproximadamente US$ 4,4 trilhões e França, com US$ 4,2 trilhões.
O Brasil também tem uma dívida expressiva, estimada em aproximadamente US$ 2,6 trilhões nas projeções internacionais para 2026, mas não aparece entre os cinco primeiros nesse critério.
Os valores são estimativas e podem variar conforme as atualizações das projeções e a metodologia utilizada.





