O que Amazonas e Minas Gerais têm em comum nas eleições presidenciais; entenda

Um levantamento realizado pela página mapinhadomundo mostrou que, desde a redemocratização em 1989, Amazonas e Minas Gerais são os únicos Estados cujo eleitorado majoritariamente optou 100% das vezes pelo candidato vencedor das eleições presidenciais.
O resultado coloca o Amazonas em uma posição de destaque no mapa eleitoral brasileiro, apesar das diferenças entre o peso de seu eleitorado e o de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.
Ao longo de quase quatro décadas, o eleitor amazonense acompanhou as mudanças de governo e as alternâncias políticas ocorridas no país. O Estado votou nos vencedores das disputas presidenciais, independentemente de partidos e campos ideológicos, transformando-se em um dos raros exemplos de coincidência permanente entre o resultado estadual e o resultado nacional.
Foi assim que em 1989 Fernando Collor de Melo, filiado a um partido identificado com a direita, venceu a eleição tanto em Manaus quanto nos municípios do interior. Nas duas eleições subsequentes o eleitorado amazonense optou por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), um presidente identificado com a centro-esquerda.
Nas quatro eleições subsequentes, o eleitorado votou majoritariamente em candidatos do PT, um partido de esquerda. Em 2002 e 2006 em Luiz Inácio Lula da Silva e 2010 e 2014 em Dilma Vana Rousseff. Nestas eleições houve coincidência entre o eleitorado da capital e o do interior, que optaram pelos mesmos candidatos.
Em 2018 a maioria dos eleitores amazonenses fez uma discreta conversão à direita ao optar por Jair Bolsonaro (PSL), que venceu a eleição nacional. Naquele ano, houve uma divisão entre os amazonenses, com os da capital optando majoritariamente por Bolsonaro e os amazonenses do interior por Fernando Haddad.
A diferença foi de apenas 9.555 votos entre os dois candidatos, ou 0,54 ponto percentual. O Amazonas foi, portanto, um dos estados onde Bolsonaro teve uma vitória mais apertada sobre Haddad. Nessa eleição, pesou em favor do presidente eleito os votos do eleitor de Manaus, enquanto para Haddad restou a vitória na maioria dos municípios do interior.
Eleitorado da capital x eleitorado do interior
A eleição de 2022 confirmou essa divisão territorial dentro do Amazonas. Embora Lula (PT) tenha vencido a eleição presidencial no Estado e no país, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o mais votado em quatro dos 62 municípios amazonenses: Manaus, Apuí, Boca do Acre e Guajará.

Nos outros 58 municípios, a maioria dos eleitores votou em Lula. O resultado demonstrou a força do petista no interior, enquanto Bolsonaro concentrou sua principal vitória no maior colégio eleitoral do Estado, Manaus, além dos três municípios do interior.
Para a eleição deste ano as pesquisas mostram que poderá ocorrer um desempate entre o Amazonas e Minas Gerais, os Estados onde quem ganha acaba eleito presidente. Enquanto no Amazonas a maioria das pesquisas de intenção de votos apontam para a vitória de Lula, em Minas Gerais o quadro é de indefinição, com a maioria dos levantamento mostrando um quadro de empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Confira como foram as votações no Amazonas para Presidência
1989 (segundo turno)
- Fernando Collor (PRN): 397.103 mil votos (66,7%)
- Lula (PT): 197.431 (21%)
1994 (Eleição definida no primeiro turno)
- Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 419.742 votos (60,50%)
- Lula (PT): 161.390 votos (23,26%)
1998 (Eleição definida no primeiro turno)
- Fernando Henrique Cardoso (PSDB): 452.076 votos (54,68%)
Lula (PT): 211.507 votos (25,58%)
2002 (segundo turno)
- Lula (PT): 722.034 (69,8%)
- José Serra (PSDB): 311.175 (30,1%)
2006 (segundo turno)
- Lula (PT): 1.159.709 (86,80%)
- Geraldo Alckmin (PSDB): 176.338 (13,20%)
2010 (segundo turno)
- Dilma Rousseff (PT): 1.141.607 (80,57%)
- José Serra (PSDB): 275.333 (19,43%)
2014 (segundo turno)
- Dilma Rousseff (PT):1.033.457 (65%)
- Aécio Neves (PSDB): 556.545 (35%)
2018 (segundo turno)
- Jair Bolsonaro (PSL): 885.401 (50,27%)
- Fernando Haddad (PT): 875.845 (49,73%)
2022 (segundo turno)
- Lula (PT): 1.004.991 (51,10%)
- Jair Bolsonaro (PL): 961.741 (48,90%)





